A mãe de Henry Borel, Monique Medeiros, prestou depoimento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, apresentando uma nova versão dos fatos que levaram à morte do filho.
Durante o depoimento, Monique afirmou que foi orientada pela equipe jurídica do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, a mentir nos primeiros relatos dados à polícia. Ela destacou: “Hoje, eu creio que foi o Jairo.”
Monique relatou ainda que Jairinho costumava lhe dar remédios para dormir e, em algumas situações, ela percebeu medicamentos triturados em taças de vinho.
Ela contou que a relação entre Jairinho e Henry foi marcada por episódios de agressão, que começaram desde o início do relacionamento. Um dos casos teria ocorrido em novembro de 2020, aproximadamente cinco meses antes da morte da criança, quando o ex-vereador teria agredido o menino.
Mesmo com esses relatos, Monique afirmou não imaginar que Jairinho pudesse ser capaz de machucar seu filho. “Se eu tivesse suspeita de tortura, agressão, eu não teria continuado nesse relacionamento”, declarou.
A pedagoga disse que não tinha provas de que Henry sofria violência, apesar de ter buscado ajuda médica e psicológica, além de contar com o apoio do pai da criança, Leniel Borel.
Mudanças no comportamento de Henry
Monique descreveu que Henry mudou de comportamento, ficou mais triste e apresentou tremores e vômitos na presença de Jairinho. Na noite do falecimento do menino, ela afirmou ter sido acordada pelo companheiro, que disse que Henry estava com dificuldades para respirar.
Ela relatou que, ao entrar no quarto, encontrou o filho gelado e com olhar fixo, o que a deixou muito emocionada.
Depoimento sobre a babá
Monique negou ter sido avisada pela babá Thayná Ferreira sobre agressões de Jairinho contra Henry. Também falou sobre uma troca de mensagens no dia 12 de fevereiro, quando, segundo as investigações, Jairinho teria se trancado no quarto com a criança, que saiu depois do quarto reclamando de dores.
Monique relatou que, naquele momento, desconfiava que Jairinho poderia ter feito comentários ofensivos ao menino, mas não imaginava tortura.
Traições e violência no relacionamento
Monique contou que, no início do namoro, recebeu mensagens de Débora Mello Saraiva, ex-companheira de Jairinho, que dizia manter um relacionamento de seis anos com ele e o acusava de agressão. Mesmo assim, Monique reconciliou-se com Jairinho.
Ela também relatou um episódio em novembro de 2020, quando Jairinho invadiu a casa dos pais de Monique após uma crise de ciúmes, agredindo-a fisicamente. Apesar do ocorrido, o relacionamento continuou, com Jairinho pedindo desculpas e justificando o comportamento pelo consumo de álcool.
Comportamento de Jairinho
Monique descreveu que Jairinho era carinhoso com ela e com Henry no início, mas com o tempo tornou-se controlador, ciumento e agressivo, e a relação entre ele e a criança piorou após os episódios de violência.
O depoimento de Monique encerrou-se e seguirá o interrogatório de Jairinho, que é acusado de homicídio qualificado, tortura e coação no processo. Após os depoimentos, haverá debates entre Ministério Público e defesas, seguido da votação do Conselho de Sentença.

