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segunda-feira, 01/06/2026

Líder indígena na Nicarágua morre após anos preso pelo governo

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Brooklyn Rivera, líder indígena da Nicarágua, faleceu devido a complicações de saúde após quase três anos encarcerado, conforme divulgado neste domingo (31/5) por autoridades locais.

Integrante respeitado do povo miskito e ex-deputado com 73 anos, Rivera foi preso em setembro de 2023 pelo governo do presidente Daniel Ortega, que é amplamente acusado de autoritarismo.

As causas oficiais para a detenção de Rivera nunca foram publicadas. Ele liderava o partido indígena Yatama, que luta pelos direitos das comunidades nativas da Nicarágua. A Anistia Internacional reconhecia Rivera como prisioneiro de consciência.

O Ministério da Saúde da Nicarágua informou que a deterioração física e neurológica de Rivera foi consequência de uma infecção bacteriana associada ao vírus da Covid-19. Médicos fizeram esforços intensos para salvar sua vida.

Semanas antes, o governo já havia divulgado fotos dele conectado a um respirador e muito debilitado, reconhecendo a gravidade do quadro. Em resposta, os Estados Unidos exigiram sua libertação.

Revogação da imunidade parlamentar

Em novembro de 2024, segundo relatos da imprensa, o governo nicaraguense comunicou às Nações Unidas que a imunidade parlamentar de Rivera foi revogada para investigação por crimes graves, entre eles traição.

A filha do líder, Tininiska Rivera, que vive no exílio, solicitou que as autoridades entreguem o corpo do pai para que o enterro siga a tradição miskita. Ela também negou que familiares estivessem com ele no momento da morte, como alegado pelo governo.

Daniel Ortega, que com 80 anos está no poder desde 2007, foi reeleito em eleições questionadas internacionalmente. Seu governo é classificado como ditadura pelos Estados Unidos, que o acusam de concentrar o poder e reprimir opositores.

Sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, além do exílio de milhares de nicaraguenses e a retirada de cidadania de opositores, marcam o contexto político atual do país.

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