A Fundação do Câncer está chamando a atenção para o crescimento do uso dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, especialmente entre os jovens, o que pode levar a um aumento dos casos de câncer no Brasil. Esse alerta foi dado no Dia Mundial sem Tabaco, em apoio à campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) que combate a dependência do tabaco e da nicotina.
Luiz Augusto Maltoni, cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação, explicou que os vapes continuam sendo vendidos facilmente em redes sociais, sites e no comércio informal, apesar de serem proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. Ele destacou que esses produtos estão cada vez mais disfarçados e integrados ao dia a dia, tornando seu uso quase imperceptível.
Um exemplo disso são os “vaporizer hoodies”, moletons com vaporizadores embutidos no tecido, que permitem que o uso dos vapes passe despercebido em lugares como escolas e transporte público. Para Maltoni, essa estratégia tem como objetivo viciar os jovens e pode representar um retrocesso nas políticas de controle do tabaco no país.
No mesmo dia, a Fundação do Câncer lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”, do Movimento Vape Off, que apresenta relatos de jovens que sofreram consequências graves relacionadas ao uso dos vapes. A campanha busca alertar os jovens sobre o perigo da dependência criada pela indústria desses dispositivos.
Os novos aparelhos trazem funções como telas sensíveis ao toque, jogos, música e troca de mensagens, semelhantes aos celulares, o que aumenta o apelo para os adolescentes. Alguns modelos até reagem quando o usuário para de usar, incentivando o uso contínuo.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, a experimentação de cigarros eletrônicos entre jovens de 13 a 17 anos subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, número considerado alarmante por Maltoni.
Milena Maciel de Carvalho, consultora da Fundação na área de tabagismo, destacou que a exposição à nicotina na adolescência pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro e aumentar a chances de dependência para a vida toda. Além disso, esses dispositivos podem expor os usuários a substâncias perigosas, incluindo partículas ultrafinas, compostos tóxicos e metais pesados, trazendo risco à saúde respiratória e cardiovascular.
Maltoni defende a adoção de medidas rigorosas para controlar a fabricação e propaganda dos vapes no Brasil. Ele cita o exemplo da Inglaterra, que proibiu a venda desses produtos para pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009, além de restringir sua publicidade e oferta para crianças e adolescentes.
Essas ações são fundamentais para proteger a saúde dos jovens e evitar um aumento de problemas relacionados ao uso de vapes no futuro.

