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domingo, 31/05/2026

Impactos do fim da escala 6×1 no Brasil: entenda em 6 pontos

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Em Brasília

EDUARDO CUCOLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O debate sobre o fim da escala 6×1 — sistema de trabalho com seis dias seguidos de jornada e um dia de descanso — gera opiniões diferentes sobre como isso pode afetar a economia do Brasil. Alguns estudiosos acreditam que isso pode aumentar custos para as empresas, diminuir vagas de trabalho e reduzir o crescimento econômico. Outros dizem que o desemprego pode não crescer muito e que as empresas podem lidar com os custos extras.

Recentemente, a Câmara aprovou uma proposta que acaba com esta escala e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. Agora, o Senado vai analisar essa proposta.

Veja a seguir os principais pontos desse debate, com argumentos a favor e contra.

Impactos na Economia

Pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre) indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) pode cair se a redução da jornada não for acompanhada de aumento da produtividade, pois a produtividade no Brasil tem crescido pouco nos últimos anos.

Por outro lado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere que o custo do trabalho subiria cerca de 7,84%, o que o país poderia absorver sem causar grande impacto econômico, comparando esse valor ao custo da valorização do salário mínimo.

Outra pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indica que não é certo que a redução da jornada cause prejuízos econômicos, pois o aumento da produtividade e outras mudanças podem compensar. A mudança também pode beneficiar os trabalhadores ao dar mais tempo para estudos e cuidar de atividades não remuneradas.

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), destaca que deve-se analisar setor por setor. Ele cita o exemplo do Chile, onde a diminuição da jornada em 2024 resultou em aumento do desemprego e informalidade, além de queda no PIB entre 1% e 3%.

Impactos na Inflação

Alguns economistas alertam que reduzir as horas trabalhadas, especialmente quando o desemprego está baixo, pode desequilibrar a oferta e a demanda, aumentando salários e preços.

Um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que com o fim da escala 6×1, os custos com mão de obra podem subir até 15%. A CBIC prevê uma diminuição de quase 600 mil horas trabalhadas por ano, o que exigiria contratação de cerca de 288 mil novos funcionários.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), reduzir a jornada de 44 para 40 horas pode aumentar a participação dos salários nos custos das indústrias de 22% para 24%, uma mudança sem grandes consequências para a economia geral.

Além disso, as empresas podem economizar em benefícios como vale-transporte, vale-refeição e afastamentos por saúde.

Impactos na Produtividade do Trabalho

Um benefício esperado da redução da jornada é que trabalhadores descansados produzem melhor e têm mais tempo para aprender. No entanto, no Brasil, a produtividade cresceu muito pouco, cerca de 0,2% ao ano desde 1981, o que gera dúvidas sobre se essa mudança vai realmente aumentar a eficiência.

Em outros países, a produtividade se manteve ou aumentou após cortes na jornada sem redução salarial, pois a qualidade do tempo trabalhado é mais importante que a quantidade.

Contudo, críticos dizem que esses resultados positivos ocorreram em ambientes já produtivos. Um estudo do FGV/Ibre mostra que menos horas trabalhadas podem reduzir a produção por trabalhador no curto prazo, o que pode ser difícil de compensar rapidamente no Brasil, especialmente em setores que dependem muito de trabalho manual.

Impactos na Saúde do Trabalhador

Pesquisa da Unicamp revela que mais de 90% dos trabalhadores na escala 6×1 sofrem com problemas de saúde física e mental. Trabalhar seis dias seguidos deixa pouco tempo para recuperação, enquanto dois dias de descanso podem reduzir estresse, ansiedade e a síndrome de burnout, comuns em setores como comércio e serviços.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) confirmam esses impactos negativos na saúde.

Um estudo da universidade Boston College, nos EUA, indica que empresas que reduziram os dias de trabalho tiveram menos casos de burnout, melhor saúde mental e física dos funcionários, maior satisfação e aumento da produtividade.

A mudança também favorece o convívio familiar e permite mais tempo para estudos, lazer e exercícios.

Impactos na Rotatividade de Trabalhadores

Reportagens da Folha mostram que empresas que adotaram voluntariamente a escala 5×2 registraram menos rotatividade e maior interesse em vagas de trabalho.

No entanto, uma empresa do ramo de restaurantes e hotéis relata insatisfação dos funcionários com a mudança na escala sem diminuição da jornada, necessitando contratar mais colaboradores, o que reduziu o valor das gorjetas, pois precisa ser dividido entre mais pessoas.

Impactos no Emprego Formal

Estudo do professor Naercio Menezes Filho, do Insper e da USP, analisou a redução da jornada de 48 para 44 horas nas décadas de 1980 e 1990, e revelou que não houve aumento do desemprego, a chance de perder o emprego diminuiu, e a renda e o bem-estar melhoraram.

Por outro lado, Daniel Duque, da FGV-Ibre, alerta que reduzir a jornada sem diminuir salários eleva o custo por hora, pressiona as empresas a aumentar preços e pode causar desemprego. Ele estima uma perda de cerca de 638 mil empregos formais, principalmente em construção, comércio e agropecuária.

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