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quinta-feira, 11/06/2026

Juíza morre após demora de 28h para cirurgia urgente após hemorragia

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Duas médicas que atenderam a juíza Mariana Francisco Ferreira, que faleceu após um procedimento para colher óvulos, relataram à Polícia Civil que insistiram diversas vezes na necessidade de uma cirurgia de emergência para salvar a vida dela.

No entanto, a intervenção cirúrgica só foi autorizada pelo médico Maurício Ligabô, responsável pelo procedimento, cerca de 28 horas depois da paciente ter chegado ao Hospital e Maternidade Mogi-Mater.

Mariana fez a coleta de óvulos na Clínica Invitro Reprodução Assistida, em Mogi das Cruzes, São Paulo, na manhã do dia 4 de maio. Depois do procedimento, ela voltou para casa, mas começou a sentir muita dor. Retornou à clínica e, logo depois, foi levada ao hospital com uma hemorragia grave.

Complicações e uso de morfina

Uma médica que estava de plantão no hospital informou que, ao assumir o trabalho na noite do dia 4, soube da gravidade da situação de Mariana, que tinha baixa hemoglobina e líquido na cavidade uterina. Apesar disso, o médico responsável considerava o quadro normal devido a uma hiperestimulação dos ovários e preferiu usar um medicamento para tentar secar o líquido.

Durante a madrugada, exames indicaram piora no estado da juíza. Para aliviar a dor, a equipe aplicou morfina e entrou em contato com o médico, que prometeu ir ao hospital na manhã do dia seguinte.

Sinais vitais alterados e recusa da cirurgia

No dia seguinte, a médica percebeu sinais evidentes de sangramento intenso e entendeu que uma cirurgia deveria ser feita imediatamente para localizar o problema. Ela comunicou isso ao médico Maurício Ligabô, que resistiu e solicitou novos exames e tratamentos. Ele manteve sua hipótese de hiperestimulação ovariana e não autorizou a cirurgia.

A equipe o alertou novamente sobre a gravidade, e ele visitou Mariana pessoalmente, constatando sinais graves, mas ainda assim recusou a cirurgia. Ligou para o hospital por volta das 9h e saiu por volta das 9h, prometendo voltar mais tarde com uma colega da clínica.

À tarde, após ser alertado novamente, Ligabô retornou ao hospital só às 18h30, ignorando os pedidos de intervenção imediata.

Interferência no hospital

Uma médica relatou que recebeu ligação de outro profissional do hospital que havia sido contactado por Ligabô para buscar outro especialista, desconsiderando o trabalho da equipe atual e pedindo um cirurgião para o caso.

Foi feita uma punção para comprovar que havia sangue no líquido, mostrando que a cirurgia era urgente.

Pressões internas para agir

Outro colega da equipe médica aconselhou a agir rapidamente: “Arruma um médico urgente para operar a paciente, pois ela está lutando pela vida, não deixe isso passar”.

Mariana foi levada para o centro cirúrgico por volta das 21h do dia 5. Uma médica descreveu que nunca havia visto um médico tão resistente a agir naquele hospital. Segundo relatos, durante conversas da equipe, o médico Ligabô teria rido diante da gravidade da situação.

Mariana faleceu na manhã do dia 6, por volta das 6h.

Posicionamentos oficiais

A Secretaria de Segurança Pública confirmou que a mãe da vítima compareceu à delegacia e confirmou que Mariana fez a coleta de óvulos para um tratamento de fertilização.

Ela entrou no hospital com quadro de hemorragia aguda, foi atendida e levada para a UTI, onde recebeu todos os cuidados necessários da equipe médica.

O hospital informou que o médico responsável pela clínica acompanhou o caso e participou do procedimento cirúrgico, mas apesar dos esforços, Mariana não resistiu.

O caso está registrado como morte suspeita e está sendo investigado pela polícia.

Quem era a juíza

Mariana Francisco Ferreira nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, e sonhava em ser juíza desde jovem. Ela ingressou no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul em dezembro de 2023 e trabalhou em várias varas antes de assumir o Juizado da Vara Criminal de Sapiranga, em fevereiro deste ano.

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