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quinta-feira, 11/06/2026

Inep mantém critérios da redação do Enem e avalia usar IA para agilizar notas

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmou que não haverá alteração nos critérios de avaliação da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e está estudando a aplicação da inteligência artificial (IA) para acelerar a divulgação dos resultados. Essa declaração foi dada em uma audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, realizada na quarta-feira (10).

O debate surgiu diante das dúvidas de estudantes sobre possíveis erros e falta de clareza na pontuação da edição de 2025. O pedido para a audiência foi feito pelo deputado Túlio Gadelha (PSD-PE), que informou relatos de discrepâncias numéricas nos boletins e prováveis mudanças internas no exame.

O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Eduardo Carvalho Sousa, mencionou que o referencial para correção das redações é o mesmo desde 2009, mas enfatizou um maior rigor na identificação de textos baseados em modelos padronizados.

“Estamos enfrentando uma produção em massa de redações pré-elaboradas, onde o candidato apenas altera algumas frases. O que mudou foi o aumento no rigor para essas redações prontas”, explicou.

Eduardo Sousa também disse que os avaliadores recebem preparo específico e que cada redação é corrigida independentemente por dois profissionais, sem que eles saibam a nota do outro. Se as notas divergem mais de 80 pontos em um critério, a redação passa por uma nova análise.

O Inep anunciou ainda que começará uma parceria com empresas de tecnologia para testar o uso da IA no processo de correção, com o objetivo de diminuir o tempo para liberar a folha espelho e a avaliação pedagógica da redação, que atualmente ficam disponíveis cerca de 60 dias após as notas oficiais.

Alunos pedem maior transparência

Estudantes pedem que os critérios de avaliação sejam explicados de modo mais claro para os participantes do Enem.

A diretora de Relações Institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Letícia Holanda, ressaltou que muitos jovens das regiões periféricas têm dificuldade para entender os documentos do exame. Para ela, conhecer melhor os critérios auxilia os estudantes no planejamento dos estudos e reforça a confiança no processo.

Letícia Holanda defendeu ainda cautela ao adotar novas tecnologias. “A aplicação dessas ferramentas precisa ter supervisão pública e social para garantir a transparência. Caso contrário, a IA pode reforçar falhas e padrões repetitivos nas redações”, alertou.

O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Paulo Henrique Viana, propôs a criação de meios mais simples para contestar as notas. “É importante que a folha espelho seja um recurso para o estudante identificar erros ou inconsistências, permitindo que ele apresente essa contestação formalmente ao Inep”, sugeriu.

Eduardo Sousa mencionou que o canal oficial para esse tipo de demanda é a plataforma Fala BR.

Importância da redação e integração das avaliações

Em nome do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a coordenadora de educação digital do Paraná, Lorena Pantaleão da Silva, salientou o papel fundamental da redação na formação dos estudantes. Segundo ela, o exame incentiva a cidadania, o pensamento crítico e a capacidade de argumentar.

Lorena Pantaleão da Silva indicou que a integração entre o Enem e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) poderá ajudar as secretarias estaduais a acompanhar o ensino médio e analisar os resultados de aprendizagem de forma mais efetiva.

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