LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS
O índice oficial de inflação no Brasil, conhecido como IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), subiu 0,58% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Este valor é menor que os 0,67% registrados em abril, mas ainda assim é o maior para o mês de maio nos últimos cinco anos.
A alta dos preços foi puxada especialmente pelo aumento nos custos dos alimentos e da energia elétrica.
O número divulgado ficou acima da expectativa do mercado financeiro, cuja previsão era de 0,53%, de acordo com a agência Bloomberg.
No acumulado dos últimos 12 meses até maio, a inflação chegou a 4,72%, ultrapassando o teto da meta de 4,5% fixada pelo Banco Central (BC). Essa é a primeira vez que o índice fica acima desse limite desde outubro do ano passado.
Essa meta é importante para o Banco Central definir a taxa de juros básica da economia, chamada Selic. Apesar de terem ocorrido cortes na taxa desde março, a pressão da inflação e as expectativas ruins fizeram o BC ficar alerta.
O Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao BC, tem uma reunião marcada para a próxima quarta-feira (17) para decidir se continua reduzindo a Selic, que atualmente está em 14,5% ao ano. Muitos especialistas acreditam que o BC pode cortar mais 0,25 ponto percentual, mas não descartam uma pausa nesses cortes devido à inflação.
Segundo o economista Carlos Lopes, do banco BV, “O Banco Central deve fazer mais um corte de 0,25 ponto, mas é possível que interrompa esse ciclo devido à situação complicada da inflação”.
Outro economista, Leonardo Costa, da instituição financeira Asa, também espera um corte de 0,25 ponto e que a taxa Selic se mantenha em 14,25% ao ano até o fim do ano, ressaltando que a inflação continua sendo um problema para o Banco Central.
Alimentos pressionam inflação
O setor de alimentação e bebidas apresentou o maior aumento entre os grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA no mês de maio, com alta de 1,33%. Isso corresponde a metade da inflação total do mês.
Dentro dos alimentos consumidos em casa, a alta foi de 1,65%, a maior para o mês de maio em 18 anos. Produtos como batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,8%) e carnes (1,39%) ficaram mais caros.
Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explicou que os aumentos são causados por menor oferta e pelo custo do frete, que subiu devido à alta do preço dos combustíveis.
Parte desses aumentos está relacionada à guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo e dos fertilizantes, gerando impacto no custo dos combustíveis no Brasil.
Embora o diesel tenha tido uma queda de preço de 2,34% em maio, isso não compensou totalmente as altas registradas em meses anteriores devido ao conflito.
A gasolina também caiu 1,46% em maio, mas teve aumentos em meses anteriores e é um dos principais componentes do índice, ajudando a segurar a inflação.
O governo federal adotou medidas para reduzir o impacto do aumento dos combustíveis, especialmente do diesel, visando proteger a economia em um ano eleitoral.
Além dos alimentos, a energia elétrica teve uma alta de 3,67% no mês, contribuindo com 0,15 ponto percentual para a inflação, motivada por reajustes em algumas regiões e pela bandeira tarifária amarela em vigor em maio.
Ameaça do El Niño
Para o segundo semestre, o fenômeno climático El Niño representa um risco adicional, podendo alterar as chuvas e prejudicar a produção agrícola, o que pode elevar os preços dos alimentos.
Economistas já ajustaram suas previsões para a inflação dos alimentos em 2026, esperando um aumento de 7% ou mais.
De acordo com o boletim Focus do Banco Central, a previsão para o IPCA nos 12 meses até dezembro é de 5,11%, com tendência de alta constante nas últimas semanas.
A meta de inflação do Banco Central tem um centro de 3% com um intervalo de tolerância entre 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o teto é 4,5% e o piso 3%. A meta é considerada descumprida se o índice ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos.
IPCA de maio nos últimos 5 anos
Os valores do IPCA para o mês de maio nos últimos anos foram:
- 2021 – 0,83%
- 2022 – 0,47%
- 2023 – 0,23%
- 2024 – 0,46%
- 2025 – 0,26%
- 2026 – 0,58%
Fonte: IBGE

