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quinta-feira, 14/05/2026

Europa veta carne brasileira e mostra protecionismo nas negociações com Mercosul

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Especialistas e integrantes do governo brasileiro consultados pelo Metrópoles avaliam que a decisão da União Europeia, que suspendeu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para o bloco, apresenta um viés principalmente protecionista. A medida foi anunciada na terça-feira (12/5) e entrará em vigor em setembro.

O bloco europeu justifica a suspensão com base em normas sanitárias, tendo recentemente aprovado novas restrições nas importações de proteína animal para combater a resistência bacteriana e reduzir o uso excessivo de antibióticos na pecuária.

Segundo Jose Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as razões apresentadas são técnicas. Contudo, ele ressalta que barreiras técnicas são frequentemente usadas como ferramentas para proteção econômica, como já ocorreu em negociações entre o Mercosul e a União Europeia.

Brasil busca reverter veto europeu

Após o anúncio, o governo brasileiro declarou surpresa e afirmou que tomará todas as medidas necessárias para reverter a decisão do bloco.

No dia seguinte, representantes brasileiros em Bruxelas, Bélgica, reuniram-se com autoridades sanitárias da União Europeia para tratar da suspensão.

Foi acordado que grupos técnicos serão formados para fornecer informações que possam reverter a medida. O Brasil arrisca perder um mercado que movimenta quase US$ 2 bilhões com essa suspensão.

Em 2025, a União Europeia importou 368,1 mil toneladas de carnes brasileiras, totalizando US$ 1,8 bilhão, segundo dados do sistema Agrostat do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A UE é o segundo maior mercado em valor para as carnes brasileiras, atrás apenas da China.

No segmento da carne bovina, o Brasil exportou US$ 1,048 bilhão ao bloco em 2025, com mais de 128 mil toneladas. Já as exportações de carne de frango geraram US$ 762,9 milhões, com volume de 230 mil toneladas embarcadas.

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