DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Americanas teve uma receita bruta 19,8% maior no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento, a empresa encerrou o trimestre com prejuízo de R$ 329 milhões, o que representa uma diminuição de 33,7%.
As vendas nas lojas físicas foram responsáveis pelo aumento da receita, atingindo R$ 3,3 bilhões, alta de 16,5% nesse período.
O Ebitda da companhia ficou negativo em R$ 13 milhões, mas o Ebitda ajustado, que desconsidera a norma contábil IFRS16, fechou o trimestre negativo em R$ 186 milhões, reduzindo o prejuízo em 23,3% comparado ao ano anterior.
Com a nova gestão iniciada na recuperação judicial, a Americanas diminuiu sua atuação no comércio online e concentrou esforços nas lojas físicas, especialmente na modalidade de compra online com retirada nas lojas, que no trimestre cresceu 55,8%, chegando a R$ 146 milhões.
Fernando Soares, CEO da Americanas, destacou que essa mudança na estratégia do ecommerce foi fundamental para o resultado, principalmente durante a Páscoa, quando as vendas online aumentaram cerca de 10% por conta da retirada em loja.
Com quase 1.500 pontos de venda, a empresa utilizou essa estrutura para garantir entregas rápidas aos clientes.
Em contrapartida, as operações via marketplace caíram 71,9%, representando R$ 10 milhões no trimestre. A estratégia atual é fazer parcerias com outras empresas para manter a presença digital, focando também na retirada em loja.
A companhia projetava alcançar o ponto de equilíbrio nas operações digitais ao longo do ano, porém isso ocorreu já no primeiro trimestre.
As despesas relacionadas à recuperação judicial e à investigação de inconsistências contábeis subiram 87,6%, chegando a R$ 28 milhões.
Sebastien Durchon, CFO da empresa, informou que a recuperação judicial envolve vários custos, incluindo advogados e administradores judiciais. Em março, a Americanas solicitou formalmente a saída dessa recuperação e aguarda decisão judicial.
Durchon afirmou que a empresa já cumpriu suas obrigações e não precisa mais dessa proteção, que gera custos elevados.
Sobre a Americanas
- Fundação: 1929
- Sede: Rio de Janeiro
- Funcionários: 23.988
- Lojas: 1.452 espalhadas por todo o Brasil
- Centros de distribuição em várias cidades, incluindo Seropédica (RJ), Uberlândia (MG) e Itapevi (SP)
- Principais concorrentes: supermercados, lojas de cosméticos e doces
- Receita líquida em 2025: R$ 12,3 bilhões
