Bruno Lucca
Folhapress
Estudantes da USP (Universidade de São Paulo) formaram um bloqueio humano na entrada da reitoria na manhã desta quinta-feira (7).
Eles exigem que a administração de Aluisio Segurado retome as conversas para pôr fim à greve. Esta semana, a universidade informou que as negociações haviam sido finalizadas.
O bloqueio em frente ao edifício, localizado na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo, começou por volta das 5h. Os alunos também organizaram uma manifestação para hoje em frente à reitoria.
Para encerrar a paralisação, que já dura três semanas, Segurado apresentou algumas propostas. Entre elas, o reajuste dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) conforme o índice IPC-FIPE.
Com a atualização, o valor integral do benefício subiria de R$ 885 para R$ 912 por mês. A modalidade parcial com moradia aumentaria de R$ 330 para R$ 340.
O programa atende 17.587 alunos de graduação e pós-graduação que enfrentam dificuldades financeiras. Para 2026, o orçamento para assistência estudantil — que inclui bolsas, moradia, alimentação e saúde — é de R$ 461 milhões.
A reitoria também anunciou a criação de uma bolsa destinada a novos alunos em situação de vulnerabilidade.
Sugestões para os restaurantes universitários foram apresentadas. Além de formar grupos para avaliar a qualidade dos serviços, planeja-se contratar mais funcionários, oferecer três refeições durante a semana e café da manhã e almoço aos sábados.
Foram propostas também grupos de trabalho com ampla participação dos alunos. Um dos grupos deve discutir cotas para pessoas transexuais e indígenas no vestibular, uma antiga reivindicação dos estudantes.
Outro grupo discutirá o uso dos espaços pelos centros acadêmicos. Uma proposta para regulamentar esse uso foi retirada após críticas. O texto previa obrigações como transparência, prestação de contas e regras para contratos, além de estipular que a autorização para uso é temporária e pode ser cancelada pela universidade.
Das propostas apresentadas, a relacionada às bolsas foi a que menos agradou os estudantes.
Os alunos pedem que o valor das bolsas integrais aumente de R$ 885 para cerca de R$ 1.804, equivalente ao salário-mínimo paulista.
