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segunda-feira, 08/06/2026

Dólar sobe com tensão entre Israel e Irã

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FOLHAPRESS

O dólar aumentou nesta segunda-feira (8) enquanto a Bolsa de Valores caiu, pois os investidores ficaram atentos à retomada dos ataques entre Israel e Irã, que encerraram um cessar-fogo que estava em vigor desde 7 de abril.

Os bombardeios recentes entre os dois países fizeram o preço do petróleo subir mais de 5% nesta manhã, devido ao medo de que o fornecimento da commodity possa ser interrompido.

Às 15h55, o dólar estava 0,54% mais alto, cotado a R$ 5,182 na venda. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, apresentava uma queda de 0,22%, fechando aos 168.645 pontos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira que Israel e Irã parem os ataques imediatamente, após um aumento da violência no fim de semana que colocou fim ao cessar-fogo estabelecido em abril e ameaçou os esforços diplomáticos para acabar com o conflito.

Donald Trump escreveu na rede Truth Social: “Israel e Irã devem parar de atirar agora”. Em uma publicação anterior, ele afirmou que as negociações estavam progredindo, porém sujeitas a obstáculos devido à ignorância ou insensatez.

Na sexta-feira (5), o dólar fechou em alta de 1,76%, cotado a R$ 5,155, enquanto a Bolsa caiu 0,76%, aos 169.019 pontos.

Esse movimento foi influenciado pela criação de empregos nos EUA acima do esperado. O Departamento do Trabalho informou que foram criados 172 mil postos no mês passado, muito mais que os 85 mil previstos pelos economistas consultados.

Esse dado reforça a ideia de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, provavelmente manterá as taxas de juros elevadas, especialmente considerando o conflito no Oriente Médio. Isso aumentou o rendimento dos títulos públicos americanos, conhecidos como Treasuries.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, comentou que os dados afastam a ameaça de recessão nos EUA, mas que podem causar o efeito de “boas notícias são más notícias”, pois podem levar o Fed a manter os juros altos por mais tempo, já que um mercado de trabalho aquecido tende a aumentar a inflação.

A probabilidade de aumento da taxa de juros em dezembro pelo Fed subiu para 65%, contra 48% antes da divulgação dos dados.

Essa interpretação de “boas notícias são más notícias” baseia-se em uma das teses mais comuns no mercado global. Como a economia dos Estados Unidos é a maior do mundo, os títulos públicos americanos são vistos como um investimento seguro. Quando os juros dos EUA sobem, investidores retiram dinheiro de ativos mais arriscados, como os dos mercados emergentes, e aplicam nos títulos americanos para segurança e retorno melhor.

Este movimento foi observado globalmente na última sexta-feira. Até o índice S&P 500, referência do mercado acionário dos EUA, que estava em altas recordes pela inteligência artificial, caiu 2,5%.

A próxima reunião do Fed será entre 16 e 17 de junho, sendo a primeira sob o comando do novo presidente Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, que é crítico do antigo presidente Jerome Powell.

Além dos dados de emprego, o Fed considera a inflação alta, que acelerou em abril, impulsionada pelos preços da energia devido à guerra com o Irã.

O índice de preços PCE subiu 3,8% nos 12 meses até abril, maior aumento em três anos, conforme o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio. Em março, o índice estava em 3,5%.

No mesmo dia, Donald Trump defendeu a redução da taxa de juros, mas afirmou que a decisão caberá ao novo presidente do Fed. Ele criticou repetidamente Jerome Powell por manter os juros acima de 3%, defendendo que a taxa correta seria entre 1% e 1,5%, muito abaixo do nível atual entre 3,5% e 3,75%.

O conflito no Oriente Médio também não trouxe tranquilidade. Na quinta-feira, com o mercado brasileiro fechado por feriado, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não retiraria suas tropas do país.

Essas decisões dificultam um possível acordo entre Teerã e Washington, já que o Irã considera o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah um pré-requisito para um acordo de paz com os EUA.

Publicamente, Donald Trump tenta afastar a ideia de impasse. Na quarta-feira, afirmou que o Irã concordou em não desenvolver armas nucleares e que deve se reunir com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei.

“Eles já concordaram em não ter armas nucleares”, disse o presidente americano, sem entrar em detalhes. A interrupção do programa nuclear iraniano é um dos principais pontos de conflito, e o regime tem resistido a essa condição.

O conflito afeta as cadeias de suprimento globais e o tráfego pelo estreito de Hormuz, uma rota marítima responsável por 20% do petróleo e gás natural produzidos mundialmente.

Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirmou que “esse cenário reforça a percepção de que as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã esfriaram e que não existe indicação de resolução rápida para o conflito”.

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