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terça-feira, 28/07/2026

Cortes no orçamento do BC põem em risco segurança e avanços do Pix

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ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A diminuição dos recursos destinados ao Banco Central (BC) tem atrasado melhorias tecnológicas e novas funcionalidades do Pix, sistema de pagamentos instantâneos que movimenta cerca de R$ 3 trilhões por mês.

Especialistas e servidores consultados pela Folha afirmam que a falta de verba dificulta a manutenção da infraestrutura do Pix, aumenta o risco de falhas operacionais e ameaça a segurança contra ataques cibernéticos.

O Ministério do Planejamento não respondeu aos pedidos de informações, enquanto o BC garantiu que seus sistemas são seguros e robustos. Segundo a instituição, a atualização constante dos mecanismos de segurança do Pix é uma prioridade.

Em junho, o corte de R$ 92 milhões no orçamento do BC quase comprometeu a renovação de contratos de tecnologia essenciais para o funcionamento do Pix, usado por 80% da população. Após alerta do BC, o governo liberou R$ 45 milhões em caráter emergencial, porém um bloqueio de R$ 75 milhões ainda aguarda liberação para evitar mais atrasos.

O orçamento discricionário do BC para 2024 está em R$ 444 milhões, valor considerado baixo por técnicos, que apontam riscos de falhas com menos de R$ 500 milhões. O anúncio de um desbloqueio adicional de R$ 5,7 bilhões no orçamento federal pode aliviar essa situação.

Um integrante da equipe econômica afirmou que a questão orçamentária do BC para o Pix deverá ser resolvida no Projeto de Lei Orçamentário de 2027, a ser enviado ao Congresso em agosto. A ministra de Gestão e Inovação, Esther Dweck, assegurou que os recursos para o Pix não faltarão.

Galípolo, representante do BC, já destacou publicamente a escassez de recursos e pessoal e os riscos para a fiscalização, defendendo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que garantiria autonomia financeira à autarquia. Servidores também apoiam a PEC para fortalecer o Pix, mas o governo Lula se posiciona contra a medida, que aguarda votação no Senado.

2024 tem sido um ano difícil para os investimentos no Pix, que já tiveram que ser adiados. Para 2026 está prevista a ampliação do data center e a aquisição de novos equipamentos para armazenar dados, pois a capacidade atual está no limite, representando riscos para a recuperação do sistema em caso de paralisação.

Risco de ataques hackers

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem elogiado o Pix pela inclusão financeira, mas recomenda mais rigor na supervisão para evitar fraudes e ataques cibernéticos. O fundo sugere que o controle do sistema envolva as maiores instituições financeiras e provedores de serviços.

Em junho de 2025, um ataque hacker à empresa C&M Software, ligada ao Sistema de Pagamentos Instantâneos do BC, resultou no desvio de cerca de R$ 1 bilhão. Apesar disso, o sistema do BC que opera o Pix nunca foi invadido diretamente.

O episódio marcou profundamente o BC e o setor financeiro brasileiro. Novos servidores do Pix foram informados sobre a importância histórica do sistema e o ataque cibernético.

Embora publicamente pouco se fale sobre riscos de falhas ou invasões, especialistas e representantes do setor alertam para a vulnerabilidade da infraestrutura diante da limitação de investimentos.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Auditores do BC, Guilherme Solino, alerta que o sistema central do Pix permanece suscetível a ataques devido à precarização da estrutura. Ele destaca que o alerta já está dado e que os recursos e pessoal disponíveis são insuficientes para a demanda.

Após os ataques, bancos têm reforçado seus sistemas de proteção e apoiam o BC na busca por mais verbas para garantir segurança cibernética e prevenção de fraudes.

Ivo Mósca, diretor de produtos, serviços e segurança da Febraban, destaca que as limitações orçamentárias e a redução de servidores têm prejudicado o progresso do Pix, que poderia estar evoluindo em ritmo muito mais acelerado.

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