20.2 C
Brasília
segunda-feira, 27/07/2026

Causas e prevenção da morte súbita ao correr

Brasília
céu limpo
20.2 ° C
20.2 °
20.2 °
37 %
2.2kmh
0 %
ter
30 °
qua
31 °
qui
30 °
sex
29 °
sáb
22 °

Em Brasília

VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS

A morte súbita durante uma corrida, como aconteceu com o corredor Júlio Barreto, 50 anos, na SP City Marathon, embora rara, pode ocorrer mesmo em pessoas que parecem saudáveis, especialmente se tiverem problemas cardíacos não descobertos, dizem especialistas consultados pela Folha de S.Paulo.

Júlio completou a prova, que tinha percursos de 21,1 km e 42,2 km, mas depois sentiu dores no braço, passou mal e desmaiou quando se dirigia à ambulância do evento.

Segundo a cardiologista Thaís Pinheiro Lima, a morte súbita cardíaca é um óbito inesperado, que geralmente acontece rápido após o início dos sintomas com perda de consciência. Durante a corrida, o esforço intenso e a desidratação aumentam hormônios como cortisol e adrenalina, que aceleram o coração e podem causar a ruptura de placas de gordura nas artérias do coração.

Essa ruptura pode formar coágulos que bloqueiam o sangue para o coração, provocando um infarto e arritmias graves. Para jovens abaixo de 35 anos, doenças genéticas como a cardiomiopatia hipertrófica são causas comuns, enquanto para maiores de 40 anos, a doença arterial coronariana é o maior risco.

João Branco, médico do esporte, explica que mesmo atletas saudáveis podem ter problemas cardíacos silenciosos que surgem com maior esforço. Por isso, a avaliação médica antes de provas longas não deve ser apenas um formalismo, mas uma medida essencial para identificar riscos.

O exame deve incluir análise do histórico familiar, exame físico e eletrocardiograma, e pode precisar de testes adicionais. Preparar-se para provas deve incluir treino planejado, fortalecimento muscular, orientação nutricional e acompanhamento profissional.

Qualquer sintoma diferente do normal, como dor no peito, falta de ar, tontura, palpitações, náuseas, desmaios ou confusão, exige que a corrida pare imediatamente. A queda no desempenho habitual também pode indicar problemas e precisa de avaliação médica.

Apesar dos riscos, a corrida de longa distância é segura para a maioria quando treinada e monitorada da forma correta. Segundo Thaís, o risco de parada cardíaca durante o esporte é baixo, cerca de 2 em 100 mil atletas por ano.

O esporte deve ser visto como prevenção, e o desafio é descobrir quem tem maior risco para que possa correr com segurança.

Veja Também