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segunda-feira, 27/07/2026

Governo anuncia compra de injeção para prevenir HIV

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CLÁUDIA COLLUCCI
FOLHAPRESS

O Governo Federal informou nesta segunda-feira (27) que firmou um acordo para comprar o medicamento cabotegravir, uma injeção antirretroviral usada para prevenir o HIV antes da exposição, desenvolvida pela empresa ViiV Healthcare, controlada principalmente pela GSK.

Esse acordo será analisado na próxima semana pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), conforme revelou o ministro Alexandre Padilha durante a conferência internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.

Padilha não divulgou oficialmente o preço do medicamento, que rumores apontavam ser US$ 400 (aproximadamente R$ 2.032), mas ao ser questionado declarou que o governo está disposto a pagar no máximo entre 10 a 12 vezes o valor praticado em países como Indonésia e Tailândia, onde a dose custa US$ 40, valor que se aproxima do especulado.

O número inicial de doses a serem adquiridas ainda não foi definido, pois as negociações continuam. A expectativa é que, com aprovação da Conitec, o medicamento esteja disponível para os pacientes brasileiros ainda este ano.

A Anvisa aprovou o cabotegravir em 2023, e ele está disponível no mercado privado desde agosto do ano passado. A injeção é aplicada a cada dois meses, diferente do comprimido diário usado até então na prevenção do HIV. Atualmente, o preço de tabela dele no Brasil é de R$ 4.000.

Padilha também destacou a maior redução histórica na taxa de mortes por Aids no Brasil em 2024, com menos de 10 mil óbitos, atribuída ao aumento de 150% na oferta de medicamentos de PrEP pelo SUS e ao crescimento de 100% dos testes rápidos nos últimos três anos. Hoje, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV iniciam tratamento no mesmo dia e mais da metade começa em até 30 dias.

O ministro mencionou três desafios que ainda dificultam a luta contra a epidemia: discriminação e preconceito contra pessoas com HIV, desinformação científica e falta de acesso a novas tecnologias.

Ele ressaltou que “inovação sem acesso é injustiça” e anunciou um programa para agilizar o acesso a exames e tratamentos mais complexos para quem vive com HIV.

Padilha comentou ainda sobre o lenacapavir, outra PrEP injetável de aplicação semestral, aprovada pela Anvisa em janeiro. O Brasil propôs pagar até dez vezes menos que o preço básico, mas a empresa negou oferta para o SUS por esse valor. O governo segue aberto para negociações, mas não aceitará preços considerados altos demais.

Também foi informado um acordo entre a Fiocruz e a MSD para acompanhar o desenvolvimento de um novo medicamento oral de longa duração contra o HIV, o MK-8527, em estudos clínicos no Brasil. A parceria poderá evoluir para produção e incorporação no SUS futuramente.

O ministro admitiu que o Brasil nem sempre é incluído diretamente em acordos internacionais para produção de genéricos, mas que isso não impede negociações diretas. Não respondeu se haverá uso do licenciamento compulsório para o MK-8527, instrumento que permite fabricação independente em caso de preços elevados.

Destacou o papel do Brasil na articulação regional via Opas, visando acesso também para países vizinhos.

O anúncio foi feito na presença do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e do diretor da Opas, Jarbas Barbosa, pouco antes da abertura da AIDS 2026, a primeira conferência internacional na América do Sul.

Tedros celebrou a queda de 42% nas novas infecções e 57% nas mortes relacionadas à Aids desde 2010, mas alertou para os riscos dos cortes de financiamento internacional. Ele chamou o lenacapavir de um avanço importante na prevenção, mas salientou a necessidade de mais recursos e do fim de leis que criminalizam grupos vulneráveis.

Barbosa informou que mais de 325 mil pessoas usam PrEP nas Américas, mas ainda falta acesso para quase 1 milhão, o que faz com que 10% dos casos de Aids na região sejam diagnosticados tardiamente.

A Gilead, fabricante do lenacapavir, declarou que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao medicamento e que as negociações continuam na região com a Opas. A empresa informou que segue os processos regulatórios no Brasil e está avaliando parcerias para produção regional, incluindo o país, sujeitas a análises técnicas e financeiras.

Por fim, a empresa reforçou seu compromisso de ampliar o acesso ao lenacapavir para países com alta carga da doença, trabalhando com governos, comunidades e parceiros para levar o medicamento a quem mais precisa.

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