A luta contra o HIV enfrenta um desafio sério devido à redução de 20% nos recursos financeiros no último ano, apesar dos avanços científicos significativos. Especialistas alertam que essa diminuição pode comprometer os esforços de prevenção e tratamento da doença.
A conferência internacional sobre aids no Rio de Janeiro destacou que os EUA, sob a liderança de Donald Trump, cortaram drasticamente a ajuda externa, seguidos por países europeus como França, Alemanha e Reino Unido.
Beatriz Grinsztejn, presidente da Sociedade Internacional de Aids, afirmou que nunca antes o financiamento dos doadores havia caído tão rapidamente, prejudicando os mais vulneráveis.
Hoje, graças à ciência, o HIV é uma condição controlável para milhões, mas a desigualdade social impede o progresso completo. Como disse Winnie Byanyima, diretora-executiva da UNAids, a ciência já fez sua parte; agora é necessário que a política assuma sua responsabilidade.
Medicamentos preventivos eficazes, quase comparáveis a vacinas, existem, mas muitos ainda não têm acesso a eles, elevando o risco de novas infecções e mortes.
Desafios nos países em desenvolvimento
O financiamento global para países de baixa e média renda caiu 18% no último ano. Desde 2011, a contribuição europeia diminuiu 58%. Mesmo assim, os EUA ainda representam 74% do financiamento governamental.
Países africanos, especialmente na África Subsaariana, estão na linha de frente do combate ao HIV, com financiamento local correspondendo a 60% dos recursos. No entanto, isso ainda é insuficiente, pois muitos dependem da ajuda internacional para até 90% de seus esforços.
Especialistas afirmam que é cedo para avaliar o impacto completo desses cortes, mas o cenário preocupa os profissionais da área.
Novas opções médicas
A ONU aspira eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030, com a meta de 20 milhões de pessoas usando antirretrovirais preventivos. No entanto, quase metade das crianças com HIV não recebeu esses medicamentos no último ano.
Angeli Achrekar, diretora-executiva adjunta da UNAids, pediu que as indústrias farmacêuticas tornem tais medicamentos acessíveis a todos.
A farmacêutica americana Merck anunciou que permitirá a produção de versões genéricas do comprimido antirretroviral alimatravir na África e Índia, reduzindo custos.
A organização Médicos Sem Fronteiras também solicitou à Gilead que amplie o acesso ao preventivo lenacapavir, que necessita apenas de uma injeção semestral. Países onde ocorreram ensaios clínicos, como Brasil, Argentina, México e Peru, ainda estão excluídos dos acordos para versões genéricas.
Embora o lenacapavir possa ser produzido por cerca de 40 dólares por pessoa ao ano, ele custa até 28 mil dólares nos EUA, um valor inacessível para a maioria.
© Agence France-Presse
