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segunda-feira, 27/07/2026

Do Campo À Mesa: A Jornada do Agricultor Familiar no Distrito Federal

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Antes que os alimentos cheguem à mesa do brasiliense, há um personagem essencial em todo o processo: o agricultor. Mais de 10 mil pessoas trabalham diariamente no campo do Distrito Federal, dedicadas ao cultivo e produção. Um exemplo é Francisco Santos de Sousa, que lidera a Família F, um grupo produtivo de morangos em Brazlândia.

Residindo na capital federal há 20 anos, Francisco começou cultivando hortaliças com o apoio da esposa e dos filhos mais velhos. Atualmente, a produção principal da família é o morango. O preparo do solo tem início em dezembro do ano anterior, com o plantio ocorrendo em março. A colheita se estende de abril a setembro, e no último ano, a safra alcançou cerca de 100 mil caixas de morangos.

Para Francisco, ser agricultor familiar é fonte de orgulho. Ele enfatiza a satisfação de colher verduras frescas diariamente e levá-las diretamente ao mercado, garantindo alimentos de qualidade para as pessoas.

De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, o Brasil possui mais de 10 milhões de pessoas envolvidas com a agricultura familiar, representando 67% do total de trabalhadores rurais e ocupando 80,9 milhões de hectares.

No Distrito Federal, essa atividade é fundamental para abastecer a população local. Cerca de 75% dos produtores rurais são agricultores familiares, com destaque para a produção orgânica e o fornecimento de alimentos para a merenda escolar, conforme dados da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF).

Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), os agricultores familiares movimentaram R$ 1,078 bilhão em 2024. Os principais produtos cultivados são morango, tomate, alface, pimentão, além da avicultura, que inclui produção de ovos e carne. No mesmo ano, cerca de 100 mil atendimentos foram oferecidos a esses produtores pelo órgão.

Em 2025, o Governo do Distrito Federal investiu mais de R$ 22,7 milhões em grupos formais da agricultura familiar para o fornecimento de alimentos nas escolas, representando 42,5% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O secretário de Agricultura, Rafael Bueno, destaca a importância dos agricultores familiares para a segurança alimentar no DF. Ele comenta que mais de 80% da merenda escolar provém da agricultura familiar, o que assegura qualidade alimentar para as crianças e toda a população local, definindo esse mercado como muito promissor.

Desafios

Mesmo sendo peça chave na alimentação, os agricultores enfrentam dificuldades. Francisco aponta a falta de investimentos em infraestrutura nas áreas rurais, como estradas, que são frequentemente danificadas pelas chuvas e só recebem manutenção anual, dificultando o acesso ao trabalho.

A Seagri informa que mais de 1.700 km de estradas rurais foram recuperados no ano anterior, além de outros investimentos em pavimentação, principalmente ligados ao programa Caminho da Escola, beneficiando tanto estudantes quanto produtores rurais.

Rafael Bueno acrescenta que alguns desafios ainda persistem, como a regularização fundiária, que está avançando, mas não foi totalmente concluída. Outro ponto importante é ampliar o acesso ao crédito para os produtores e a escassez de mão de obra na agropecuária, que poderá ser minimizada com a automação dos processos.

A Seagri também atua para apoiar os produtores rurais com assistência no preparo do solo, adubação e transporte de insumos. Além disso, o Programa de Aquisição de Alimentos permite que o governo adquira diretamente os produtos da agricultura familiar, fortalecendo o setor.

Rafael Bueno ressalta que, em 2025, foram investidos mais de R$ 70 milhões em compras públicas voltadas para a agricultura familiar no Distrito Federal, uma estratégia importante para garantir preços justos e compras planejadas pelo governo.

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