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terça-feira, 28/07/2026

Conselheiro da Vale nega vazamento e critica falta de transparência

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NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O advogado Marcelo Gasparino renunciou ao conselho da Vale e refutou as acusações de ter vazado informações internas da empresa. Ele também expressou preocupação com o que chama de enfraquecimento da governança na mineradora, especialmente após decisões recentes da Previ, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Gasparino destacou que sua saída não envolveu acordos financeiros, diferente do que ocorreu com o ex-presidente do conselho, Daniel Stieler, que recebeu benefícios após renunciar.

A Vale escolheu não comentar a carta de renúncia, e a Previ não respondeu aos pedidos de entrevista.

A Previ é o maior acionista individual da Vale, com 7,02% das ações, seguida por investidores como a japonesa Mitsui, e gestoras como BlackRock e Capital World Investors.

Vice-presidente do conselho, Gasparino renunciou após ser alvo de um processo de destituição baseado na acusação de vazamento. Ele admite que compartilhou com um analista de mercado sua opinião sobre a destituição de Stieler, mas alega que o documento já havia sido oficialmente entregue à empresa e era apenas uma avaliação pessoal.

Ele defende que compartilhar seu próprio documento em caráter reservado não equivale a divulgação indevida de informações confidenciais e reclamou que não teve chance de se defender antes da decisão contra ele.

Gasparino também sugeriu que poderá recorrer à Justiça para ter direito à defesa, pois pediu acesso à investigação em curso.

Na sua análise, criticou a movimentação da Previ para mudar o comando do conselho, chamando a iniciativa de uma “aventura societária”. Ele também questionou a candidatura de Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, para substituir Stieler.

Gasparino relatou surpresa ao saber que um conselheiro independente aceitou participar, de forma oculta, do processo para destituir o presidente do conselho.

Ele afirmou que já vinha percebendo decisões que enfraquecem a governança da empresa, como decisões tomadas fora dos canais oficiais e eventos secretos, o que o levou a pensar em deixar o conselho.

Segundo ele, isso mostra um afastamento dos princípios de governança, transparência e independência que tinham sido restaurados na empresa nos últimos anos.

Gasparino ainda apontou que, na atual gestão, a transparência é vista como uma ameaça.

Ele ressaltou que manter a confidencialidade é essencial para o funcionamento do conselho, mas que isso não pode impedir o diálogo interno e a prestação de contas aos acionistas.

A crise começou quando a Previ solicitou a destituição antecipada de Stieler, que indicou Ollie para assumir a presidência do conselho.

No entanto, a Previ perdeu espaço no conselho após seu candidato para substituir Stieler, José Maurício Coelho, perder a eleição para Ieda Gomes, apoiada pelos demais conselheiros.

Historicamente, a fundação tinha duas cadeiras no conselho, mas agora mantém apenas uma, ocupada por seu presidente Marcio Chiumento.

As tensões geraram dois processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), um sobre o pacote de benefícios dado a Stieler e outro referente à tentativa de destituição de Gasparino.

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