A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda e recolheu lotes de produtos da marca Ypê devido ao risco de contaminação microbiológica. A decisão reacendeu um debate acalorado nas redes sociais entre grupos de esquerda e direita.
Perfis alinhados à direita associaram a medida à participação dos donos da Ypê na campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro, sugerindo uma perseguição política patrocinada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o Ministério da Saúde negou qualquer motivação política nas ações da Anvisa.
Como forma de apoio à marca, influenciadores, políticos e celebridades próximos ao bolsonarismo têm divulgado vídeos e publicações consumindo produtos da Ypê. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou uma imagem exibindo um frasco de detergente. O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo, convocou seus seguidores a comprarem os produtos da empresa. O senador Cleitinho Azevedo também fez críticas à Anvisa, enquanto a cantora Jojo Todynho manifestou sua insatisfação com a medida nas redes sociais.
Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, repudiou a politização do assunto e alertou para os perigos da ingestão dos produtos, que são potencialmente nocivos. Ele condenou a disseminação de vídeos que desinformam e colocam em risco a saúde das pessoas, reforçando que a Anvisa avaliará as medidas cabíveis contra esse tipo de conteúdo.
A Anvisa afirmou que a decisão de suspensão foi baseada em análises técnicas e em inspeções que identificaram falhas nos sistemas de controle de qualidade na fábrica da Química Amparo, em São Paulo. Foi constatada a presença de microrganismos que comprometem a segurança dos produtos.
A medida envolve lotes específicos de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê, especialmente os com numeração final em 1. Inicialmente, a Anvisa recomendou a interrupção do uso dos itens afetados pelos consumidores.
Posteriormente, a Ypê obteve na Justiça a suspensão temporária da decisão, porém a Anvisa recomendou que os produtos continuem a não ser usados enquanto novas avaliações não forem concluídas. A diretoria colegiada da agência deve decidir em breve sobre a manutenção da suspensão.
