ISABELLA MENON
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS)
O CEO da BlackRock, Larry Fink, disse que admira o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, e gostaria que os Estados Unidos tivessem algo parecido.
A declaração foi feita durante a Brazil Week, evento que começou nesta segunda-feira (11) em Nova York.
“Eu admiro o que o Banco Central brasileiro fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui. Quero que todos os países avancem na digitalização da moeda”, afirmou Fink. Ele acredita que esse processo pode transformar o mundo e aumentar o sucesso econômico global.
Para ele, o Brasil está entre os países mais avançados na digitalização financeira. Fink ressaltou que a população brasileira já tem uma “mentalidade digital”, algo que apenas o Brasil e a Índia desenvolveram em grande escala.
O presidente da BlackRock também relacionou o Pix a uma grande transformação no sistema financeiro mundial. Segundo ele, a infraestrutura criada pelo Banco Central poderia integrar pagamentos, investimentos e ativos digitais numa única plataforma.
Fink associou a evolução do Pix ao processo de tokenização da economia, que transforma ativos como ações, títulos públicos e imóveis em registros digitais negociáveis. Na visão dele, as pessoas vão usar “carteiras digitais” que reúnem pagamentos, investimentos e patrimônio em um só lugar.
Sobre inteligência artificial, Fink disse que não há uma bolha, mas sim um problema de oferta, já que a demanda por computação, memória e energia cresce mais rápido que a produção. Ele acredita que essa escassez pode durar mais de dez anos.
Ele alerta que a revolução da IA vai acelerar uma tendência onde o capital cresce mais rápido que os salários, e por isso as pessoas precisam aprender a investir para dividir o crescimento econômico.
Sobre o cenário internacional, ele comentou que a guerra no Irã e o aumento do preço do petróleo devido ao estreito de Hormuz são questões de curto prazo.
Fink disse que sua visão está além de problemas imediatos como guerras ou preços do petróleo, e acredita que a revolução tecnológica, especialmente a IA, terá um impacto profundo na criação de riqueza.
Para investidores que pensam no longo prazo, ele garantiu que o momento é favorável e representa uma grande oportunidade. Destacou que historicamente, quem manteve os investimentos ou comprou em momentos de crise teve resultados melhores do que quem saiu do mercado com medo.
O evento de segunda-feira é organizado pela BlackRock, Câmara Americana de Comércio (Amcham) e conta com apoio do jornal Valor Econômico. A Brazil Week em Nova York tem vários eventos promovidos por instituições como Lide, Grupo Esfera, Veja e Valor Econômico.
