LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS
Os especialistas afirmam que o hantavírus, devido às suas características e dados de pesquisa de décadas, não tem capacidade para provocar uma pandemia mundial como o coronavírus.
Nos relatos iniciais, acredita-se que o vírus tenha sido transmitido entre pessoas no cruzeiro MV Hondius, o que é raro e limitado. Isso é diferente do coronavírus, que se espalha facilmente em grandes grupos humanos.
Até o momento, pelo menos sete passageiros do MV Hondius testaram positivo para hantavírus, com três mortes confirmadas. Esses casos reavivaram memórias da pandemia da Covid-19.
No entanto, cientistas confirmam que, embora a doença seja grave para quem é infectado, é improvável que se espalhe amplamente.
Mariangela Ribeiro Resende, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, destaca que o hantavírus já é estudado há muito tempo e seus comportamentos são bem conhecidos. Ela acredita que o surto no navio mostra as limitações do vírus.
O vírus está geralmente restrito a áreas rurais ou próximas a elas, onde humanos têm contato com roedores que transmitem o vírus por meio de saliva, urina ou fezes. Quando infecta o ser humano, ele não consegue se propagar facilmente, pois depende do roedor para sobreviver. Se fosse altamente transmissível, mais pessoas no navio teriam sido infectadas dada a proximidade.
O hantavírus e o coronavírus apresentam diferenças importantes, principalmente na maneira de transmissão. O coronavírus se espalha facilmente pelo ar entre pessoas, enquanto o hantavírus usa o humano como hospedeiro acidental e geralmente não passa de um ponto final.
Uma pesquisa da USP Ribeirão Preto, publicada em 2010, mostrou que o hantavírus é transmitido quase só pela inalação de partículas originadas das fezes e urina de roedores. Mesmo a cepa Andes, encontrada nas Américas, tem transmissão limitada a contatos muito próximos, como dentro de casa e relações sexuais, sem causar surtos em massa.
Outro estudo de 2024 publicado na revista BMC Public Health conclui que o vírus só se espalha onde existam os roedores específicos para mantê-lo. A presença do vírus é baixa globalmente, segundo a OMS, que considera o risco mundial como baixo e não exige ações emergenciais.
Mortalidade
Embora o hantavírus seja difícil de propagar, a gravidade para quem é infectado é alta, especialmente nas Américas, onde problemas no coração são comuns e a taxa de morte pode chegar a 50%.
Em comparação, a taxa de mortes por coronavírus no mundo gira em torno de 1%, subindo até 7% nos momentos mais críticos da pandemia.
Essa alta letalidade é um paradoxo: embora o vírus seja perigoso, isso dificulta sua propagação porque infectados ficam muito doentes rapidamente e não transmitem o vírus amplamente.
Na Ásia e Europa, o hantavírus causa principalmente problemas hemorrágicos e nos rins, com mortalidade menor, perto de 15%. Acredita-se que isso ocorra por diferenças entre as cepas regionais.
Não existem medicamentos antivirais ou vacinas específicas para o hantavírus. O tratamento comum é o suporte intensivo, mantendo as funções vitais do paciente até que ele supere a infecção.
