O preço do diesel no Brasil caiu pela quarta vez em cinco semanas, acumulando uma redução de 4,5%. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio de venda do diesel S10 foi de R$ 7,24 entre os dias 3 e 9 de maio.
Mesmo com essa queda recente, o valor ainda está 18,9% acima do preço antes do conflito no Irã que começou em 28 de fevereiro. Na época, o preço médio era R$ 6,09 por litro. Esse conflito, que envolveu ataques dos EUA e Israel ao Irã, levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, afetando cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, fazendo o preço do barril de Brent subir de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a picos de US$ 120. Na tarde de segunda-feira (11), o Brent estava a US$ 104.
O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e sentiu os efeitos desse aumento. O preço do diesel S10 chegou a R$ 7,58 na semana até 11 de abril. O diesel S500, que polui mais, caiu 5,37% de R$ 7,45 para R$ 7,05, mas ainda é 17% mais caro que antes da guerra. O diesel S10, que representa 70% do consumo no país, é o mais usado em veículos leves e pesados fabricados a partir de 2012.
A queda nas últimas cinco semanas, incluindo uma semana sem mudança, está ligada a medidas do governo desde 1º de abril. O governo oferece descontos de até R$ 1,12 por litro para o diesel nacional e R$ 1,52 para o importado, desde que os postos repassem o desconto aos consumidores. Além disso, as taxas do PIS e Cofins foram zeradas para ajudar a baixar os preços.
O pesquisador Iago Montalvão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), explica que a redução se deve às medidas fiscais e à atuação da Petrobras, que supre entre 75,74% e 78,23% do diesel entre 2023 e 2025. A estatal aumentou o preço em R$ 0,38 duas semanas após o início da guerra, mas evitou repassar totalmente o aumento do petróleo, influenciando outras refinarias. Montalvão diz que, apesar do preço ainda alto do Brent e sem previsão de fim do conflito, o mercado se adaptou, desacelerando os aumentos e permitindo quedas em alguns momentos.
O diesel é o principal combustível dos caminhões, e seu preço afeta diretamente o custo do transporte e, consequentemente, o preço de alimentos e outros produtos.
*Com informações da Agência Brasil
