Dor no peito e falta de ar ao fazer esforço, além do colesterol alto constante, podem ser sinais de hipercolesterolemia familiar (HF). Esta é uma doença genética que causa colesterol alto desde o nascimento e aumenta o risco de infartos e AVCs precoces.
A HF é comum, mas muitos não sabem que têm a doença até enfrentarem problemas graves. Para ajudar no diagnóstico e no tratamento, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), organizou uma força-tarefa na última sexta-feira (8).
Pacientes da rede pública com colesterol alto foram convidados para reavaliação no HBDF. Lá, fizeram exames clínicos, avaliação do risco cardiovascular e receberam orientações genéticas. A cardiologista Ana Cláudia Cavalcante Nogueira explicou que muitas pessoas têm HF sem saber, e encontrar a doença cedo ajuda a evitar problemas graves.
Essa doença ocorre por mudanças nos genes que dificultam a eliminação do colesterol ruim (LDL). Na forma mais comum, que afeta uma em cada 250 pessoas, o colesterol fica alto já na vida adulta jovem. A forma mais rara e grave pode causar manchas na pele desde a infância.
No Brasil, poucos casos são oficialmente diagnosticados, mas especialistas acreditam que existem muitos sem diagnóstico. Clayton Rodrigues, 53 anos, só descobriu a forma grave da doença após desenvolver manchas desde a adolescência, quando foi internado para realizar cirurgias no HBDF em 2024. O exame genético confirmou o problema, e ele se sentiu aliviado depois de sofrer preconceito por anos devido às manchas.
A filha de Clayton, Daniele Rodrigues, 26 anos, também foi diagnosticada com a forma comum da HF, permitindo que ela receba cuidados para evitar complicações. Como a HF é hereditária, identificar um paciente ajuda a investigar e cuidar de outros familiares, o que é muito importante para evitar mortes precoces.
Especialistas recomendam que pessoas com colesterol alto constante, histórico familiar de infarto precoce ou manchas na pele procurem uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Lá, poderão ser encaminhadas para avaliações e tratamentos especializados.
Com informações do IgesDF
