Brasília, 11 – Diversas associações e representantes do setor de energia divulgaram um manifesto pedindo a redução do chamado parâmetro de aversão ao risco do sistema elétrico. Segundo essas entidades, a manutenção do nível atual pode acarretar R$ 5,4 bilhões a mais em custos com usinas térmicas. O tema será discutido pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana.
O documento foi assinado por importantes grupos, como a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia), Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE).
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) monitora diferentes cenários hidrológicos para avaliar possíveis quedas no volume de chuvas e nos níveis dos reservatórios, com o objetivo de prever impactos e evitar crises hídricas. Essa análise é feita por uma ferramenta conhecida como “CVaR” (Conditional Value-at-Risk, ou Valor Condicional em Risco).
Esse parâmetro define a probabilidade de falta de água e influencia diretamente no preço da energia elétrica, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco de escassez, maior o custo de energia, o que leva a maior uso de termelétricas e, consequentemente, à ativação de bandeiras tarifárias que aumentam o valor da conta.
Antes da atualização em 2024, a CVaR considerava 30% de chance de escassez hídrica, considerando os 15 piores cenários entre as simulações feitas, denominado modelo “15/30”. Agora, o modelo mudou para “15/40”, ou seja, considera 40% de chance de ocorrência desse problema.
O CMSE deve se reunir no dia 13 para discutir os parâmetros de aversão ao risco que serão usados a partir de 2027. No ano anterior, o comitê optou por manter os mesmos valores para 2026 adotados em 2025.
Segundo o manifesto, “está em definição quanto custará manter a segurança energética em 2027, especialmente o quanto as térmicas serão usadas para complementar a geração hidrelétrica. O debate principal é sobre o equilíbrio entre custo e benefício”.
As entidades reforçam que os parâmetros atuais já geram um custo de R$ 51,6 bilhões em térmicas para garantir energia mesmo em piores cenários hidrológicos.
O documento afirma que “a contratação ou uso adicional que elevaria esse valor em R$ 5,4 bilhões não tem justificativa técnica ou econômica consistente, sendo um custo alto e com benefício muito pequeno”.
Estadão Conteúdo
