ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS
A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão do vereador Senival Moura (PT) durante a audiência de custódia realizada na última sexta-feira (26).
Senival Moura foi preso na quinta-feira (25) suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) através da empresa de transporte Transunião, que administra duas linhas de ônibus na cidade de São Paulo.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, o vereador seria o responsável oculto e controlador da estrutura financeira paralela da Transunião.
Logo após a prisão de Senival Moura, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) assumiu o controle da gestão da empresa.
A defesa do vereador declarou surpresa e indignação com a prisão, afirmando confiar na Justiça e garantindo que a investigação provará a inocência de Senival Moura.
Além do vereador, outras duas pessoas presas na operação também passaram por audiência de custódia e tiveram suas prisões mantidas: Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão, diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, apelidado de Sapo, homem de confiança do parlamentar.
A defesa de Cachorrão afirmou que ainda não teve acesso aos autos e que os processos em andamento já têm documentos que afastam as acusações de lavagem de dinheiro e ligação com crime organizado. Já o advogado de Devanil considera desnecessária a detenção e pediu a revogação da prisão temporária.
A audiência de custódia serve para avaliar se a prisão foi feita corretamente e se deve ser mantida ou se outras medidas podem ser aplicadas.
A investigação que originou a operação começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, antigo presidente da Transunião, em 2020. O Ministério Público identificou que a empresa teve um aumento de capital que pode ter sido financiado com dinheiro do crime organizado.
Havia um grupo paralelo que tomava decisões na Transunião, incluindo transferir valores para criminosos do PCC.
Senival Moura seria o principal beneficiário dos desvios financeiros descobertos pela facção. O assassinato de Adauto teria relação com esses desvios, mas o vereador não foi morto porque prometeu devolver os recursos desviados.
O vereador também teria usado a Transunião para criar um sistema financeiro clandestino para o grupo criminoso.
A Justiça ainda bloqueou e sequestrou R$ 194 milhões em contas dos envolvidos e da empresa, além de veículos, imóveis e embarcações.
