HELENA SCHUSTER
FOLHAPRESS
O jornalismo livre e independente tem um papel importante no crescimento da economia, aponta a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em um relatório recente.
O documento reúne estudos que mostram como o jornalismo afeta diferentes áreas da sociedade.
Um dos principais resultados é econômico: uma pesquisa feita em 97 países revela que a queda na liberdade de imprensa pode diminuir o crescimento do PIB real entre 1% e 2%.
“Países onde a imprensa é mais livre tendem a ter PIB maiores, crescimento econômico mais rápido, estabilidade financeira, mais investimentos de fora e melhor desenvolvimento econômico”, destaca o relatório.
Um estudo com 259 bancos em 46 países mostra que a liberdade de imprensa ajuda a reduzir riscos no setor bancário. O jornalismo funciona como um canal rápido e confiável de informação entre governos, instituições financeiras e população, o que reduz custos e torna o país mais atraente para investidores.
Além disso, a presença maior de jornalistas leva a menos exageros em resultados financeiros das empresas e a mais transparência no mercado. Localmente, quando jornais fecham, observa-se aumento dos déficits municipais e mais violações financeiras por empresas.
O relatório estima que cada dólar investido em jornalismo pode gerar mais de 100 dólares em economia para a sociedade, por meio de fundos recuperados, serviços públicos melhores e menos corrupção.
Outra conclusão do estudo é o impacto político do jornalismo. Segundo a Unesco, a atuação da imprensa local pode aumentar a chance de políticos eleitos perderem seus cargos após denúncias de corrupção ou má gestão financeira. No Brasil, após auditorias governamentais em orçamentos municipais, a chance de reeleição de um político diminuía em 7 pontos percentuais, e esse efeito aumentava quase 50% se houvesse cobertura jornalística local.
O benefício do jornalismo independente depende, porém, da existência de instituições democráticas que possam agir com base nas informações divulgadas, conclui a Unesco. “Um bom jornalismo pode revelar corrupção, mas isso só vira mudança se houver quem possa agir sobre isso.”
O relatório “The Value of Journalism: Global Evidence on Why Media Matters to Economics, National Security and Crises” foi feito pela Unesco em parceria com o International Fund for Public Interest Media e a DW Akademie.
O custo da desinformação
Outro estudo citado mostra que a desinformação pode custar entre 355 a 516 bilhões de dólares por ano no mundo, segundo a Unesco. A desinformação confunde as pessoas, enfraquece a democracia, aumenta a polarização e agrava crises.
O jornalismo independente é a melhor forma de combater a desinformação, diz o relatório. Um estudo brasileiro acompanhou 2.200 usuários de internet e viu que quanto mais uma pessoa acessava notícias tradicionais, menos ela acreditava em boatos falsos.
Investir em jornalismo não só é eficaz, como também barato: especialistas dizem que 0,1% do PIB global, ou seja, o equivalente a 15 dias de gastos militares mundiais, poderia financiar uma mídia pública saudável e garantir informação segura para as pessoas globalmente.
