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Vacinação contra a Covid-19: quando o Brasil começará a ver os efeitos positivos?

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Segundo especialistas, tudo vai depender da velocidade da vacinação no país. Eles ressaltam que todos os idosos com mais de 60 anos precisam ser vacinados para começar a ver uma queda no número de hospitalizações.

Feliz, idoso exibe cartão de vacinação. — Foto: Matheus Castro/G1

Em 12 de março de 2020, há exatamente 1 ano, ocorreu a primeira morte por coronavírus no Brasil – uma mulher de 57 anos, internada na véspera num hospital de São Paulo. De lá para cá, muito se falou sobre o “novo normal”. Usar máscara, manter o distanciamento social, fazer quarentena, higienizar as mãos. Essas medidas foram aplicadas para tentar frear o contágio da doença enquanto cientistas desenvolviam as vacinas. Mas agora, com as vacinas sendo aplicadas no mundo, podemos começar a pensar no “velho normal”? Ele ainda existe?

Ainda não dá para saber. Dependemos da vacinação e de outras descobertas:

  • A campanha de vacinação precisa acelerar
  • O Brasil precisa de doses
  • Todos os idosos precisam ser vacinados
  • Estudos precisam mostrar se os vacinados ainda transmitem
  • Precisamos saber quando crianças e adolescentes serão vacinados

Especialistas alertam que ainda vai demorar para o Brasil atingir índices como o de Israel, um exemplo na campanha de vacinação, ou como os Estados Unidos, que começaram a liberar atividades para pessoas vacinadas. Ainda temos poucas doses disponíveis e vacinamos menos de 5% dos grupos prioritários.

Mas, apesar de tantas incertezas, o Brasil pode, se tudo der certo e em um cenário muito otimista, chegar a 70% das pessoas com mais de 18 anos vacinadas no último trimestre deste ano. O “tudo dar certo” significa ter as milhões de doses prometidas nos cronogramas do Ministério da Saúde.

Até setembro, o governo prevê receber cerca de 225 milhões de doses. Isso é referente às doses contratadas, sem somar as intenções e negociações. Mas a própria pasta vem reduzindo, repetidamente, a quantidade de doses previstas para chegar ao país (veja detalhes mais abaixo).

O último documento do governo, divulgado no dia 6 de março, diz que o país poderia ter quase 576 milhões de doses em 2021 – o suficiente para imunizar toda a população com mais de 18 anos. O cronograma traz a soma de contratos já firmados com a CoronaVac/Butantan, Oxford/Fiocruz, Aliança Covax/OMS e Covaxin (vacina ainda não aprovada pela Anvisa), além de negociações em tratativas com a Pfizer/BioNTech, Moderna, Johnson/Janssen e Sputnik V.

Redução de doses

Em um cronograma divulgado em 17 de fevereiro, o Ministério da Saúde previa receber 230,7 milhões de vacinas contra a Covid até julho. Dessas, 46 milhões delas seriam entregues em março da seguinte forma:

  • Oxford/AstraZeneca: 4 milhões (importadas da Índia) + 12,9 milhões (produção nacional com ingrediente farmacêutico ativo importado), num total de 16,9 milhões
  • Butantan: 18,1 milhões
  • Vacinas pelo consórcio Covax: 2,6 milhões
  • Sputnik V: 400 mil
  • Covaxin: 8 milhões

Desde então, entretanto, esse cronograma foi alterado ao menos três vezes pela pasta, com redução no número de doses previstas. Depois, outras duas previsões diferentes, também com diminuição nas doses, foram anunciadas pelo ministro da Saúde. A mais recente é que prevê a chegada de 22 a 25 milhões de doses neste mês. Veja o cronograma.

Além disso, apenas duas vacinas listadas entre as previstas pelo ministério foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a de Oxford e a do Butantan, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac.

Na quarta-feira (10), a agência regulamentou a importação temporária de medicamentos e vacinas mesmo sem o registro ou o uso emergencial aprovados no Brasil. Isso permite a estados e municípios comprarem vacinas como a Sputnik V. O governo da Bahia e a cidade de Maricá (RJ) já anunciaram que vão comprar a vacina.

Precisamos vacinar os vulneráveis

Um dos primeiros passos para pensar em voltar ao “velho normal” é vacinar os grupos prioritários. Com esse grupo protegido, o número de casos graves, hospitalizações e óbitos tende a cair.

  • SP: Mortes de idosos acima de 90 anos por Covid-19 caem 70% em fevereiro
  • PE: Dados preliminares apontam queda na demanda por UTI para idosos acima de 85 anos

Para o infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações Renato Kfouri, vacinar a população mais vulnerável pode permitir que as pessoas tenham mais mobilidade, já que a doença provavelmente terá um comportamento diferente.

“A partir do momento que protegermos essa população mais vulnerável, que é quem acaba sendo internada, que vai a óbito, vamos ter uma doença com outro comportamento, que raramente vai levar a caso grave, a morte, porque essa população estará protegida. Nessa hora você muda um pouco os cuidados, tratamento, isolamento. Você permite que a sociedade tenha uma mobilidade um pouco maior”, explica Kfouri.

Israel, país que já vacinou grande parte da população, viu as taxas de hospitalizações e óbitos caírem após a imunização dos mais velhos. “Vimos que em Israel, quando estava com 70% da população acima dos 60 anos vacinada, já começou a ver um impacto grande nos óbitos. Esses 70% correspondiam a 30% da população geral”, explica a epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel.

Os desafios para vacinar essa população no Brasil, entretanto, são gigantes. Faltam doses, o cronograma de vacinas muda a todo tempo, o governo ainda está fechando contratos e a campanha de vacinação segue lenta.

Segundo a previsão inicial do Ministério da Saúde, na melhor das hipóteses, o Brasil deveria receber 30 milhões de doses em março, 47 milhões em abril, 40 milhões em maio e 33 milhões em junho. Se isso se concretizasse, haveria a possibilidade de vacinar 75 milhões de brasileiros, ou seja, todas as pessoas dos grupos prioritários do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Atingir essa porcentagem, no entanto, não significa que o “velho normal” voltará com tudo. Maciel explica que vivemos um cenário de muita incerteza e a pandemia está muito acelerada no Brasil.

“Com esses números temos a probabilidade de vacinação de 60, 70 milhões de pessoas. Isso pode nos ajudar a conseguir a queda igual a de Israel. Eu espero que até outubro, com as doses e com a possibilidade do governo cumprir parte da sua promessa e comprar Pfizer, Johnson e mais a Covax, acho que por volta de setembro e outubro chegaremos em 70% da população que deve ser vacinada”, diz o médico sanitarista Gonzalo Vecina.

“Tudo vai depender de como estivermos com a pandemia no Brasil, como estará o controle após atingir esses 30% dos idosos. Precisamos ter menos de 10 casos por 100 mil habitantes. Mas acredito que quando tivermos muitos vacinados, lá para o fim do ano, talvez consigamos ter atividades com mais pessoas”.

E o Brasil está longe de atingir esse controle da pandemia. Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, a média móvel nos últimos 7 dias foi de 69.680 novos diagnósticos por dia — a maior média de casos desde o começo da pandemia. Isso representa uma variação de 30% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta também nos diagnósticos.

Brasil precisa acelerar a vacinação

A vacina é uma das maiores ferramentas para tentar conter a pandemia do coronavírus. Mas o Brasil demorou para fechar contratos com as farmacêuticas. E, sem doses, não existe vacinação. Atualmente, dependemos da fabricação das vacinas CoronaVac (responsável por mais de 70% dos vacinados no país) e da vacina de Oxford.

Para pensar em flexibilizar, o Brasil deveria estar vacinando cerca de 2 milhões, 2,5 milhões de pessoas por dia – essa é a média do país por semana. Atualmente, vacinamos menos de 200 mil pessoas por dia. Nesse ritmo, demoraremos mais de 2 anos para vacinar toda a população com mais de 18 anos.

“O governo perdeu o timing, não negociou com as farmacêuticas no ano passado. A gente precisa garantir doses, mesmo que para o segundo semestre. Queremos vacinas que sejam boas, seguras e eficazes”, alerta Maciel.

Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e idealizadora da Rede Análise Covid-19, concorda. “Ainda temos um caminho bem grande pela frente. Temos um gargalo das vacinas e como demoramos para fechar acordos importantes, estamos no final da fila. Esperamos que a vacinação dê uma galopada no meio do ano”.

A esperança é a produção 100% em solo brasileiro no segundo semestre. Para os especialistas, a partir do momento que o Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começarem as produções, a vacinação ganhará mais força.

“Eu acho que com a produção do Butantan e Fiocruz ganhando robustez, conseguimos vacinar muita gente. Precisamos acreditar nessas instituições, precisamos ser otimistas”, diz Maciel.

Essa também é a opinião de Kfouri. “Nós pecamos muito na questão da imunização em curto prazo, mas temos uma estratégia para médio e longo prazo. Temos acordos de tecnologia para dois laboratórios brasileiros, o que nos garantirá no longo prazo a produção 100% nacional, uma autossuficiência. Nos dá independência, autonomia e traz muitas vantagens”.

Flexibilização depende de doses e estudos

Ainda não temos 100% de clareza sobre como as vacinas contra a Covid-19 impactam na transmissão do vírus. Os estudos já mostraram que os imunizantes devem impedir o desenvolvimento da forma grave da doença e as hospitalizações. No entanto, análises preliminares dos laboratórios apontam para um cenário positivo quando o assunto é contágio.

“Essa talvez seja a pergunta do milhão para a flexibilização. Precisamos descobrir se os vacinados também transmitem. Se eles não transmitirem, podemos pensar em encontros. A pessoa vai saber que está imune e não está contribuindo para a transmissão”, explica Fontes-Dutra.

Outra questão é sobre o número de doses. Sem um cronograma definido é impossível projetar uma flexibilização. “Se tudo der certo, se o cronograma estiver correto, podemos pensar em atividades com mais pessoas no fim do ano. O problema é que não sabemos. Precisamos de mais transparência nos dados para termos melhores previsões. Poderemos contar com quantas doses em abril? Em maio? Faltam informações para poder prever, organizar”, explica Maciel.

“O cronograma que o Ministério da Saúde apresenta é pouco confiável. Tivemos atrasos em fevereiro, em março. É difícil prever quando teremos as 150 milhões de doses para vacinar os vulneráveis”, completa Kfouri.

E as Máscaras?

As máscaras, uma das medidas mais eficazes quando falamos sobre transmissão da Covid-19, devem continuar por um bom tempo. Na última semana, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, pediu aos países que não relaxem as medidas para combater a propagação da Covid-19.

“Se os países dependem exclusivamente de vacinas, eles estão cometendo um erro. Medidas básicas de saúde pública continuam sendo a base da resposta”, alertou o diretor-geral.

A vacina é mais uma ferramenta contra o coronavírus, mas ela sozinha não acabará com a pandemia. “Vivemos um cenário de incertezas, é difícil projetar o próximo mês. Acho que as máscaras ainda ficarão por um bom tempo. Agora temos as variantes também”, explica Maciel.

Para Fontes-Dutra, a máscara será a última coisa que iremos flexibilizar nessa pandemia.

O que podemos aprender com outros países?

Israel é um exemplo que deve ser seguido. Com mais de 50% da população vacinada, o país está prestes a voltar à vida normal. A campanha de vacinação por lá começou em dezembro.

O país associou medidas de enfrentamento com a vacinação em massa. “Enquanto eles estavam vacinando de forma massiva, eles também fizeram lockdown para barrar a transmissão. Eles atacaram o problema em diferentes frentes e viram uma redução imensa em hospitalizações. É um exemplo muito feliz de enfrentamento da pandemia”, ressalta Fontes-Dutra.

O Reino Unido também já sentiu o impacto da vacinação dos idosos. Por lá, vale a mesma regra de Israel: vacinação e lockdown. Segundo a agência de saúde britânica, as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca têm mais de 80% de eficácia para prevenir hospitalizações pela Covid-19 nos pacientes com mais de 80 anos após uma dose de qualquer uma delas. O país vacinou quase 34% da população, segundo dados do portal de monitoramento Our World in Data.

Os Estados Unidos começaram a liberar algumas atividades, após vacinar mais de 60 milhões de pessoas com a primeira dose. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde do país, disse na segunda-feira (8) que pessoas que já completaram todo o ciclo de vacinação contra a Covid-19 podem se reunir com outras pessoas na mesma situação sem usar máscaras ou manter o distanciamento social. A recomendação vale só para quem já tomou as duas doses; em outros casos, máscaras e distanciamento são aconselhados.

 

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Cidades voltam a recomendar uso de máscara após aumento de casos de covid

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O cenário é de aumento de casos e mortes de covid-19 e a queda no ritmo de vacinação

(Agência Brasil/Ricardo Wolffenbuttel/Governo de SC)

O aumento no número de casos e mortes de covid-19 e a queda no ritmo de vacinação estão levando municípios a retomarem a atenção com a pandemia. Muitos estão recomendando a volta do uso de máscara em locais fechados, como Londrina (PR), Petrópolis (RJ) e Poços de Caldas (MG), enquanto outros, como Belo Horizonte, cogitam retomar a obrigatoriedade da proteção individual.

O Brasil registrou 115 novas mortes pela covid na quinta-feira, 19. A média móvel de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, está em 113. O índice permanece acima de 100 pelo sexto dia consecutivo.

Em Belo Horizonte, duas escolas particulares anunciaram na quinta-feira a suspensão temporária das aulas presenciais em algumas turmas após confirmação de casos de covid-19. São elas os colégios Santo Agostinho e Sagrado Coração de Jesus, ambos na região centro-sul da capital mineira. As atividades seguirão em formato online nas duas turmas de cada instituição até que se completem os dias necessários para o retorno seguro de todos os estudantes.

Segundo protocolo da Prefeitura de BH, caso ao menos 10% dos alunos de uma mesma turma testem positivo, as atividades presenciais precisam ser suspensas por 10 dias corridos. Na quarta-feira, 18, a prefeitura divulgou comunicado alertando para a possibilidade de voltar a exigir máscara em locais fechados, apenas 20 dias após seu uso ter sido declarado opcional. O motivo é o aumento do número de casos na cidade.

O último boletim da cidade, divulgado dia 17 de maio, mostra aumento de 18% nos novos casos do novo coronavírus em sete dias. A incidência por 100 mil habitantes subiu de 38,3 para 45,1 no último domingo, 15.

O médico infectologista Unaí Tupinambás, integrante do extinto Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte, diz que a liberação do uso de máscaras pela prefeitura foi precoce. “A gente que está na linha de frente percebeu que não era hora de abrir mão de máscara. Nossa proposta era manter a obrigatoriedade em locais fechados. Houve uma pressa de abolir tudo, as pessoas estavam cansadas, mas o que ocorria em outros países indicava que ainda não era hora de relaxar”, afirmou o médico ao Estadão.

Ele defende que, neste momento em que as temperaturas caem, as novas variantes do coronavírus avançam e a vacinação de crianças e adolescentes está muito abaixo do ideal, as prefeituras de Belo Horizonte e de outras cidades repensem a forma atual de enfrentamento da covid-19. “Os testes diminuíram, o número de casos está subnotificado e vacinação de crianças está em ritmo lento”, alerta. “Tudo conspira para piorar a situação”, afirma Tupinambás.

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que, “caso seja necessário e com base em dados epidemiológicos e evidências científicas, medidas serão prontamente adotadas, inclusive com revisão dos protocolos sanitários e retorno da obrigatoriedade das máscaras”. Mas que, no momento, não há indicação de alteração nas medidas implantadas.

No Rio Grande do Sul, o governo emitiu na quarta-feira avisos para todas as 21 regiões do Estado em razão do aumento de casos de covid-19. Segundo o Grupo de Trabalho da Saúde, a incidência de casos quase dobrou, passando de 113,7 a cada 100 mil habitantes para 223,2 entre 7 e 17 de maio. O aviso é o primeiro nível do Sistema de Monitoramento do Estado. Depois, cada região precisa adotar planos de ação contra a pandemia. Há nove semanas não havia nenhuma emissão de aviso no Rio Grande do Sul.

Cobertura vacinal em ritmo lento

Divulgada na quinta-feira, 19, a nova edição do Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz reforça a preocupação com a estagnação do crescimento da cobertura vacinal na população adulta, além da desaceleração da curva de cobertura da terceira dose. A análise aponta que, na população acima de 25 anos, a cobertura no território nacional para o esquema vacinal completo é de 80%.

No entanto, em relação às faixas etárias, os dados mostram que a terceira dose nos grupos mais jovens segue abaixo da média considerada satisfatória. Nas crianças entre 5 e 11 anos, 60% tomaram a primeira dose e apenas 32% estão com esquema vacinal completo. Em relação à terceira dose, nas faixas etárias acima de 65 anos, a cobertura está acima de 80%. A quarta dose dos imunizantes foi aplicada em 17% da população com mais de 80 anos.

“O cenário atual ainda é motivo de preocupação. A ocorrência de internações tem sido consistentemente maior entre idosos, quando comparados aos adultos. Além disso, o surgimento de novas variantes, que podem escapar da imunidade produzida pelas vacinas existentes, constitui uma preocupação permanente”, alertam os pesquisadores.

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MEC facilita a criação de mais vagas em cursos de Medicina pelo Brasil

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A medida vale para as escolas criadas por chamamento público, no âmbito do Mais Médicos

(Getty Images/Morsa Images)

Uma portaria do Ministério da Educação (MEC) publicada na segunda-feira, 16, liberou o pedido de novas vagas em cursos de Medicina até o limite de mais cem alunos. A medida vale para as escolas criadas por chamamento público, no âmbito do Mais Médicos. Desde 2013, quando a iniciativa foi criada, o número de escolas no Brasil passou de 210 para 354, um crescimento de 69%. De um lado, as entidades médicas apontam o risco de precarizar as condições da formação. De outro, entidades ligadas ao ensino, principalmente o privado, reclamam do engessamento do processo para criar vagas.

Em nota pública, o Conselho Federal de Medicina (CFM) pediu a imediata revogação da portaria. “Lamentavelmente, essa decisão foi tomada sem consulta ao CFM e às demais entidades médicas. Isso expressa uma opção excludente, autoritária e pouco transparente na condução de tema delicado e com consequências para a vida da população e dos profissionais”, afirmou. Conforme o conselho, a portaria possibilita a criação de 37 mil vagas em cursos já existentes, “milhares delas em municípios que não oferecem condições necessárias para o pleno processo de ensino e aprendizagem”.

Conforme a Associação Médica Brasileira (AMB), o País tem 570 mil médicos distribuídos de forma inadequada, problema que a portaria do MEC não corrige. “Considerando que não temos uma carreira nacional do médico, o que facilitaria a correta distribuição dos profissionais, a AMB se posiciona contra a abertura de novas escolas médicas ou o aumento de vagas nos cursos de Medicina. A AMB entende que a prioridade neste momento é a melhoria da qualificação da graduação médica das instituições de ensino já existentes”, disse.

DIVERGÊNCIA

Consultor em ensino superior, o advogado Edgar Jacobs acredita, porém, que se abre a possibilidade de melhorar a distribuição de médicos e suprir a falta deles pelo País. “Quando comparamos com outros países, o Brasil é apenas o 79.º em densidade médica (médicos por mil habitantes), e eles estão mal distribuídos. Essa medida reconhece a dinâmica da oferta de leitos e espaços de treinamento na área de saúde, na medida em que permite que cursos que obtiveram aportes menores, de 30 ou 50 vagas, possam requerer novamente a ampliação, quando o contexto da oferta de saúde mudar”, disse.

Já para o professor Mario Scheffer, pesquisador e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), é muito preocupante a decisão. “Do início do governo Bolsonaro até agora, o MEC liberou 37 novos cursos de Medicina, dos quais apenas três em universidades públicas. Foram autorizadas 4.500 vagas de graduação, 96% delas privadas, que cobram R$ 8.500 de mensalidade, em média. Com Temer (ex-presidente Michel Temer), em 2018, o MEC chegou a suspender novos editais para criação de cursos e vagas durante cinco anos. Decretou-se uma ‘moratória’ de araque, pois foram abertos cursos e vagas sem parar.” Segundo ele, antes da Lei do Mais Médicos, da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2013, o Brasil formava 20 mil médicos por ano. “Hoje vai formar 40 mil por ano.”

Segundo Scheffer, o atual governo seguiu abrindo muitas vagas, mas abdicou da avaliação da qualidade do ensino médico. “Não sabemos como estarão sendo formados milhares de jovens médicos que passam a atender a população imediatamente após a formatura. Também registramos que não há vagas de residência médica para boa parte dos formados em Medicina. Isso é seriíssimo, abriram a torneira da graduação sem se preocupar com a necessidade de, proporcionalmente, ampliar a oferta da formação especializada via bolsas de residência médica.”

Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, a portaria só regulamenta a de 2018 e não vai precarizar a educação médica, uma vez que todos os cursos são constantemente avaliados pelo MEC. “Está apenas trazendo uma regulamentação”, ressalta.

Segundo ele, a pandemia deixou evidente a falta de profissionais sobretudo na área de saúde. “A possibilidade de abertura de vagas para formação médica é um benefício para a sociedade como um todo, que precisa de mais e melhores profissionais.” A reportagem entrou em contato com o Ministério da Educação e com o Conselho Nacional de Saúde (CNS), mas não obteve resposta até as 19 horas.

 

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Conheça a Starlink, empresa que Elon Musk vai apresentar para Bolsonaro

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Empresário chega ao Brasil nesta sexta-feira e deve discutir uso da Starlink para conexão de escolas rurais com banda larga e monitoramento da Amazônia

Bolsonaro irá se encontrar com Elon Musk nesta sexta-feira (20). (AFP/EVARISTO SA and ANGELA WEISS)

Elon Musk, o homem mais rico do planeta, dono de uma fortuna de US$ 210 bilhões, deve apresentar nesta sexta-feira sua empresa Starlink para o presidente Jair Bolsonaro. Sua chegada ao Brasil está prevista para hoje de manhã.

De acordo com a coluna do Lauro Jardim, o encontro, até então mantido em sigilo pelo Palácio do Planalto, acontecerá no hotel Fasano Boa Vista, no interior paulista, onde se realizará um almoço com empresários e alguns ministros do governo. Veja aqui a lista dos empresários brasileiros e executivos que se reunirão com Musk.

O bilionário dono da Tesla, SpaceX e candidato a dono do Twitter, deve apresentar sua rede de satélites Starlink. A empresa prevê oferecer internet de alta velocidade a regiões onde a fibra óptica, mesmo com o advento do 5G no mundo, não deve ser alcançada pelo custo de infraestrutura.

A Starlink promete velocidades de download entre 100 Mb/s e 200 Mb/s, e latência de até 20 ms na maioria dos locais. O projeto prevê levar 42 mil satélites para a órbita da Terra, sendo que pelo menos 1,8 mil já foram enviados.

Chegada ao Brasil

Em novembro do ano passado, Elon Musk se encontrou com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, onde apresentou seus planos para conectar as escolas rurais com banda larga e também de sistemas de monitoramento da Amazônia.

Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu aval para a Starlink operar satélites de órbita baixa no Brasil. Pouco mais de uma semana após a autorização da Anatel, a Starlink divulgou os preços de seus serviços de assinatura e equipamentos para fornecimento de internet via satélite no mercado brasileiro.

Quem é Elon Musk?

Aos 50 anos, Elon Musk é a pessoa mais rica do mundo, com fortuna avaliada em US$ 263 bilhões, segundo a Forbes. O dono da Tesla deve ainda conquistar seu primeiro trilhão em 2024. Considerado um dos maiores empreendedores do século XXI, Musk fez fortuna com a criação do PayPal, sistema de pagamentos on-line.

Ele também é dono de uma série de empresas. É o fundador e CEO da SpaceX, além de liderar a start-up de chips cerebrais Neuralink e a empresa de infraestrutura The Boring Company.

O empresário de tecnologia, contudo, também coleciona controvérsias. É chamado de gênio e louco no mundo dos negócios por suas ideias fora da caixa. Costuma dar opiniões polêmicas no Twitter – onde tem vasta influência entre seus mais de 83 milhões de seguidores, tendo inclusive se tornado o maior acionista da empresa e agora novo dono da rede social.

No ano passado, a revista Time ressaltou que Elon Musk é uma pessoa com influência na Terra e também fora dela.

Conheça a história de Elon Musk e entenda como o empresário e investidor se tornou um dos homens mais ricos do mundo:

Origem

Elon Musk nasceu em Pretória, África do Sul, em 1971. É um dos três filhos do casal Errol e Maye Musk. Sua mãe era nutricionista e seu pai engenheiro e dono de uma mina de esmeraldas. Aos doze anos, Elon engatou na programação ao escrever um código de videogame aos doze anos.

Aos 17, Musk deixou o país para evitar ser recrutado pelas forças armadas. Foi morar no Canadá, onde ingressou na Faculdade de Queens University, em Ontario. Depois de dois anos estudando na instituição, Musk transferiu para a Universidade da Pensilvânia onde se formou em Física. Fez o segundo grau de barechal em Economia, na Wharton School of Business.

Aos 24, em 1995, Musk foi morar na Califórnia para começar um doutorado em física aplicada, mas abandonou o programa em Stanford para dar seus passos como empreendedor. Em 2002, se tornou cidadão americano.

Seu primeiro negócio foi a Zip2, empresa que fundoucom seu irmão Kimbal e com o sócio Greg Kouri.

X.com e PayPal

Com a venda da Zip2 para a Compaq Computer, que pagou US$ 305 milhões, Musk co-fundou a X.com em 1999, empresa de pagamento de serviços financeiros on-line e de e-mail. Ele era o CEO e o maior acionista da empresa.

Um ano depois da criação, sua empresa X.com se fundiu com a Confinity, uma instituição de operações financeiras. A fusão entre as duas companhias deu origem ao Paypal.

Por conta de desentendimentos com outras lideranças, porém, Musk foi destituído de seu cargo no mesmo ano. Ele continuou como um dos maiores acionistas da empresa, e lucrou com a venda do PayPal para o Ebay por US$ 1,5 bilhão em 2002. Musk recebeu US$ 165 milhões pela transação.

SpaceX

Depois de acumular uma fortuna de cerca de US$ 100 milhões, Musk fundou a Space Exploration Technologies Corp., conhecida como SpaceX, em maio de 2002. O magnata sempre teve interesse em explorar soluções que ajudassem a melhorar a condição da vida humana na Terra ou que ao menos evitassem a sua extinção.

Com sua reserva, Musk criou a sua própria empresa para fomentar a indústria aeroespacial a custos mais acessíveis. Seu desejo é levar a humanidade para colonizar Marte por meio da SpaceX.

Tesla

A Tesla, maior montadora de veículos elétricos do mundo, passou a fazer parte dos planos de Musk em 2004. A fabricante foi fundada em 2003 por Martin Ebergard e Marc Tarpenning, que financiou a empresa até à rodada Série A de investimento.

Musk liderou a rodada de investimento e em fevereiro de 2004 se tornou presidente do conselho de administração da Tesla. O objetivo de aquisição da empresa guarda relação com um dos seus princípios ao realizar negócios: diminuir os efeitos do aquecimento global.

Atualmente, a Tesla produz centenas de milhares de carros elétricos todos os anos e conseguiu evitar problemas na cadeia de suprimentos melhor do que muitos de seus rivais, enquanto pressiona muitos consumidores jovens a migrar para veículos sustentáveis e montadoras tradicionais para mudar o foco para veículos EV.

O valor de mercado da Tesla subiu para mais de US$ 1 trilhão este ano, tornando-a mais valiosa do que a Ford e a General Motors juntas. Sua avaliação fez de Musk a pessoa mais rica do mundo.

Preocupação com o futuro da civilização humana

Na esteira da preocupação com o aquecimento global e com o futuro da civilização humana, Musk também lidera outras start-ups focadas em soluções disruptivas para a sociedade.

A Neuralink, criada em 2016, visa unir a mente humana a computadores. O projeto da start-up inclui implantar chips com milhares de eletrodos no cérebro com o intuito de ajudar a curar doenças neurológicas como Alzheimer, demência e lesões na medula espinhal e, finalmente, fundir a humanidade com a inteligência artificial.

Musk, que frequentemente alerta sobre os riscos da inteligência artificial, disse que a conquista mais importante do implante além das aplicações médicas seria “algum tipo de simbiose de IA onde você tem uma extensão de si mesmo”.

Em julho do ano passado, a Neuralink informou ter arrecadado mais de US$ 200 milhões de investidores, incluindo nesta lista o Google Ventures.

Outra start-up com viés inovador de Musk é a Boring Company, empresa de infraestrutura que tem o objetivo de melhorar a mobilidade nas cidades a partir da construição de redes de transporte em túneis subterrâneos profundos.

Diferentemente do sistema do metrô, o mecanismo da The Boring Company prevê que passageiros se desloquem de um ponto a outro sem paradas intermediárias.

A companhia levantou US$ 675 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela Vy Capital e pela Sequoia Capital nas últimas semanas, levando a empresa a ser avaliada em US$ 5,7 bilhões.

A empresa já possui um sistema de túneis no Las Vegas Convention Center e transportou passageiros na conferência da CES no início deste ano. A empresa pretende se expandir em outras cidades nos próximos anos e disse que usaria o novo financiamento para “aumentar significativamente as contratações”.

Personalidade do ano

Musk foi nomeado “Personalidade do Ano” pela revista Time em 2021, ano em que sua empresa de carros elétricos se tornou a montadora mais valiosa do mundo e sua empresa de foguetes foi ao espaço com uma tripulação totalmente civil.

“Por criar soluções para uma crise existencial, por incorporar as possibilidades e os perigos da era dos titãs da tecnologia, por impulsionar as transformações mais ousadas e disruptivas da sociedade, Elon Musk é a Personalidade do Ano de 2021 da TIME”, disse o editor-chefe da revista, Edward Felsenthal.

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Termômetro no Parque Nacional do Itatiaia registra -6,5 ºC

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Termômetro do parque nacional registrou temperatura por volta das 6h. Visitantes precisaram deixar de lado planos para acampar

Passagem de uma massa de ar polar, vinda da Argentina, e do ciclone Yakecan, derrubam as temperaturas (Reprodução/Instagram)

Que Fernanda Abreu não saiba, mas no Rio há um lugar onde a temperatura fica longe dos 40 graus e desce ao ponto de passar da casa dos 6 graus negativos. O dia amanheceu com o termômetro do abrigo para visitantes do Parque Nacional do Itatiaia marcando 6,5 graus abaixo de zero. A baixa temperatura, menor que registrado, nesta quinta-feira, surpreendeu até mesmo os visitantes que vieram em busca do frio.

Antes mesmo do nascer do sol, o engenheiro florestal Carlos Beluco subiu um pequeno monte para apreciar os primeiros raios de sol que refletiam no Pico das Agulhas Negras, o mais alto do Brasil. Ele chegou ao parque na última quarta-feira com a intenção de acampar com um amigo de infância, mas as condições climáticas fizeram a dupla mudar de ideia e pagar pela diária no abrigo.

— Ontem fizemos trilha e a vegetação estava toda branca por causa do frio. Aqui o visual é muito lindo. Agora por causa do frio estou com três meias, quatro camisas e duas toucas — conta Carlos contemplando a vista e aquecendo as mãos.

Com as baixas temperaturas, o encanamento do abrigo congelou e obrigou quem queria beber um café logo cedo a buscar água na represa que fica no parque. Os carros dos visitantes também sofreram com a geada e não há um veículo que não amanheceu com placas de gelos por toda lataria e vidros.

A queda nas temperaturas é reflexo da passagem de uma massa de ar polar, vinda da Argentina, e do ciclone Yakecan, que está se afastando da costa sul do Brasil, mas tem provocado ventos de mais de 100km/h, com efeitos ainda sentidos. Os termômetros com marcações bem abaixo do comum colocou 17 estados em todas as regiões do país estão em zona de “perigo”, como apontou o Instituto Nacional de Meteorologia, por conta da onda de frio que começou esta semana.

Nesta semana, a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou em Itatiaia, na quarta-feira, às 6h, 3,2 graus negativos, e sensação térmica de 12,7 negativos. Ontem, quinta-feira, à 1h chegou a 2,4 graus negativos, com sensação de 10,4 graus negativos.

Caçando o frio, o engenheiro florestal Ciro Moura não pensou duas vezes para tentar chegar ainda com as menores temperaturas. Morador de Volta Redonda, no Sul Fluminense, ele chegou em Itatiaia ainda na tarde desta quarta-feira (18) para retomar o contato com a natureza.

— É a primeira vez em 25 anos que venho ao parque que consigo pegar essa janela de maior frio. Assim que soube que o ciclone estava provocando essas temperaturas, peguei a moto e vim com roupa, biscoitos e vinho. Vim tomar um banho de floresta — diz o engenheiro que marcou de se encontrar no parque com dois amigos da época da faculdade.

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Covid-19: Fiocruz alerta para estagnação na cobertura vacinal

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Terceira dose nos grupos mais jovens segue abaixo da média considerada satisfatória

(AFP/AFP)

A estagnação do crescimento da cobertura vacinal contra a covid-19 na população adulta, além da desaceleração da curva de cobertura de terceira dose, é motivo de preocupação, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O alerta faz parte da nova edição do Boletim do Observatório Covid-19, divulgado nesta quinta-feira, 19.

De acordo com os dados da Fiocruz, na população acima de 25 anos, a cobertura no território nacional para o esquema vacinal completo é de 80%. No entanto, a terceira dose nos grupos mais jovens segue abaixo da média considerada satisfatória.

“A análise aponta cobertura de 63,9% na faixa etária de 55 a 59 anos; 57,9% na de 50 a 54 anos; 52,8% de 45 a 49 anos. O percentual diminui gradualmente: a partir de 40 a 44 anos é de 49,8%; de 35 a 39 anos é de 44,7%; de 30 a 34 anos é de 40,3%; de 25 a 29 anos é de 35,5%; de 20 a 24 anos é de 30,4%; e de 18 a 19 anos é de 25,2%”, destacou a Fiocruz.

No período de 24 de abril a 14 de maio, o boletim sinaliza que, em relação à quarta dose, na faixa etária de maiores de 80 anos é de 17,7%; de 75 a 79 anos é de 12,4%; de 70 a 74 anos é de 12%; de 65 a 69 anos é de 6,4%; e de 60 a 64 anos é de 3,4%.

Em relação à terceira dose, nas faixas etárias acima de 65 anos, a cobertura está acima de 80%.

Nas crianças entre 5 e 11 anos, 60% tomaram a primeira dose e 32% estão com esquema vacinal completo.

“O cenário atual ainda é motivo de preocupação. A ocorrência de internações tem sido consistentemente maior entre idosos, quando comparados aos adultos. Além disso, o surgimento de novas variantes, que podem escapar da imunidade produzida pelas vacinas existentes, constitui uma preocupação permanente”, explicam os pesquisadores da Fiocruz.

O boletim alerta que, diante da falta de incentivo do uso de máscaras como medida de proteção coletiva e a não obrigatoriedade da apresentação do passaporte vacinal, a discussão sobre a vacinação torna-se ainda mais importante.

A íntegra do último boletim pode ser acessada na página da Fiocruz na internet.

(Agência Brasil)

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Cracolândia: polícia realiza nova operação em rua do centro de São Paulo

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Durante a ação, que está ocorrendo nas proximidades da Avenida São João, nos Campos Elíseos, zona central da cidade, a polícia visa cumprir 32 mandados de prisão, além de realizar detenções em flagrante

(Estadão Conteúdo/ROBERTO COSTA/CÓDIGO19/)

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou no final da tarde desta quinta-feira, 19, uma nova fase da Operação Caronte, para combater o tráfico de drogas na região da Cracolândia. Com a ação, que está ocorrendo nas proximidades da Avenida São João, nos Campos Elíseos, zona central da cidade, a polícia visa cumprir 32 mandados de prisão, além de realizar detenções em flagrante.

A ação desta quinta é um desdobramento da megaoperação realizada pela Polícia Civil na madrugada do último dia 11, que resultou na prisão de pelo menos sete suspeitos de integrar o tráfico de drogas na Praça Princesa Isabel, local que passou a ser conhecido como a “nova Cracolândia”. Desde então, a praça está fechada.

Na semana passada, a concentração de pessoas passou a se localizar na Rua Helvétia. Nos últimos dias, o grupo de centenas de usuários se deslocou para a Rua Frederico Steidel, próximo ao cruzamento com a Avenida São João, onde seguiam até a tarde desta quinta-feira, 19. Com a operação, parte das pessoas voltou a se espalhar por vias da região.

Há uma semana, a operação retirou usuários da Praça Princesa Isabel.

Além de retirar barracas da Praça Princesa Isabel, o objetivo da última ação era cumprir 37 mandados de prisão e mais dez mandados de busca e apreensão na região da Praça Princesa Isabel. A ação, que foi conduzida pelo 77º DP (Santa Cecília), contou com mais de 600 policiais civis e militares, além de membros da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Na ocasião, foram presos suspeitos como o “Filé com Fritas”, condinome de Lucas Felipe Macedo Marques, de 22 anos. Conforme o delegado Roberto Monteiro, da 1ª Seccional Centro, ele era considerado um “traficante relevante” na região.

Apesar de algumas prisões, a ação, contudo, não conseguiu cumprir a maior parte dos mandados de prisão, o que teria motivado a nova incursão da polícia desta quinta. Até o momento, ainda não há relatos sobre novos detidos.

Conforme a polícia, após a fase desta quinta da operação, será realizada pela prefeitura de São Paulo uma grande ação social e de saúde pública no Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica (Siat) emergencial, que está instalado em terreno anexo ao 77º DP.

 

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