Crianças brincavam em brinquedos infláveis numa quadra em Samambaia, DF, onde o que parecia ser um evento recreativo funcionava como estratégia do tráfico para ganhar apoio na comunidade e controlar a região.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou que essa ação era financiada pelo dinheiro do narcotráfico e foi descoberta na Operação Eiron, realizada pela 26ª Delegacia de Samambaia Norte.
A operação
Cerca de 200 policiais cumpriram 39 mandados judiciais, incluindo prisões e buscas. O grupo investigado seguia métodos de facções do Rio, especialmente o Terceiro Comando Puro, rival do Comando Vermelho.
Um símbolo associado ao TCP, chamado Estrela de Davi, apareceu em muros e casas da região, indicando a tentativa do grupo de aplicar o controle territorial típico das favelas cariocas no Distrito Federal.
Venda de drogas
O grupo modernizou o tráfico usando redes sociais para divulgar drogas como crack, cocaína, haxixe, maconha skunk e ice, e lança-perfume, com entrega por delivery disfarçada em embalagens de fast-food.
Estabelecimentos como padarias e quiosques serviam como pontos para armazenar e vender drogas. Em um caso, balanças usadas para pesar pão também pesavam drogas, e os lucros eram movimentados por transferências Pix para contas de terceiros, dificultando o controle financeiro.
Violência e punições
Apesar das ações aparentes de ajuda, o grupo mantinha rotina violenta, com espancamentos e circulação de armas pesadas. Também aplicavam punições severas conhecidas como “tribunal do crime” contra quem desrespeitasse suas regras.
Em fevereiro de 2026, um dos suspeitos foi encontrado morto no Lago Paranoá, caso ainda em investigação.
Penas
Os investigados responderão por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, com penas que podem somar mais de 35 anos de prisão.
A operação alerta para a força crescente das facções cariocas no Distrito Federal, onde o crime organizado busca ocupar espaços e conquistar apoio por meio de ações financiadas pelo tráfico.
