Ex-funcionários enfrentam a Embaixada da Síria na Justiça
Ex-trabalhadores da Embaixada da Síria em Brasília iniciaram processos judiciais contra a instituição diplomática, alegando violações de direitos e más condições de trabalho. Eles relatam um ambiente de pressão e regras que não respeitam as leis trabalhistas brasileiras.
Alguns ex-funcionários, falando sob condição de anonimato por temor de represálias, revelaram as dificuldades enfrentadas durante o vínculo empregatício na embaixada.
Um deles, José (nome fictício), atuava como motorista desde 2016 e foi desligado em 2023. Além das funções previstas no contrato, ele realizava outros serviços como limpeza da piscina, poda do jardim e cuidados com a portaria.
Após a demissão, José buscou na Justiça do Trabalho o reconhecimento do vínculo empregatício e várias verbas, incluindo horas extras, depósitos do FGTS e indenização por danos morais. Contudo, ele não chegou a receber os valores porque faleceu no final de 2025.
Notas contra o trabalhador
Durante a disputa, a Embaixada da Síria enviou uma comunicação para outras embaixadas em Brasília informando sobre a rescisão contratual de José e recomendando que não fosse contratado por má conduta. Essa ação prejudicou sua reinserção no mercado de trabalho, causando-lhe grande sofrimento.
Decisão judicial e impasses
A embaixada alegou que a demissão de José ocorreu por justa causa devido a comportamentos inadequados, o que foi negado pela defesa do ex-funcionário. Em 2024, a Justiça do Trabalho determinou que a embaixada reconhecesse o vínculo empregatício, assinasse a Carteira de Trabalho e efetuasse pagamentos de valores legais, mas esses pagamentos não foram concluídos até o falecimento de José.
Além disso, a Justiça rejeitou o pedido da embaixada para imunidade de jurisdição, o que permitiu que o processo fosse conduzido no Brasil.
Outros casos
O caso de José não é isolado. Carol (nome fictício), funcionária doméstica contratada pela embaixada, relata que foi desviada de suas funções originais para realizar tarefas como cortar grama, cuidar de cabelo e trabalhar como copeira.
Outro ex-empregado, Jefferson (nome fictício), que trabalhou como porteiro, também conseguiu na Justiça o reconhecimento do vínculo empregatício e depósitos do FGTS, embora alguns pedidos tenham sido negados.
A embaixada foi condenada a pagar verbas trabalhistas a Carol, incluindo aviso prévio, férias e FGTS, mas não horas extras.
Resposta da Embaixada
O Metrópoles procurou a Embaixada da Síria para comentar as alegações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
