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quinta-feira, 21/05/2026

Taxa pode aumentar preço das roupas fitness em até 30%

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Em Brasília

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDic) está investigando uma possível concorrência desleal envolvendo produtos importados, que podem prejudicar a produção brasileira de filamentos de náilon usados em roupas de atividade física.

A investigação pode resultar na aplicação de uma taxa de até 108,1% sobre o tecido utilizado na fabricação dessas roupas, o que pode fazer os preços subirem até 30% no Brasil, segundo os fabricantes.

Uma nota técnica do MDic, datada de 23 de abril de 2024, indica um desequilíbrio nas exportações para o país, justificando a investigação.

A possível aplicação dessa taxa pode impactar 1,63 milhão de empregos na cadeia têxtil, incluindo 230 mil empregos diretos em malharias, tecelagens e tinturarias, além de 1,4 milhão de empregos indiretos em setores como confecção, transporte, logística, comércio e serviços.

José Altino Comper, presidente do Sintex – Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem do Vestuário, alerta que a sobretaxa sobre um insumo sem produção nacional pode desequilibrar toda a cadeia produtiva, afetando indústria, comércio, consumidores e empregos.

Procedimentos do Ministério

O MDic afirmou que a investigação segue regras internacionais da Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão final sobre a aplicação ou não dos direitos antidumping será tomada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), composto por representantes de dez ministérios.

O ministério esclarece que as análises consideram o interesse público e que a investigação atual não é uma análise de dumping propriamente dita.

A ação foi iniciada em julho de 2024 pela Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), que busca garantir a proteção da indústria nacional.

Uso do fio investigado

O fio em questão é o poliamida 6 (PA6), uma matéria-prima essencial para tecidos que precisam ser elásticos, leves, resistentes, macios ao toque e que sequem rapidamente.

Produtos como leggings, tops esportivos, biquínis, maiôs, lingeries, meias e roupas de compressão utilizam esse fio.

O setor enfrenta dificuldades como atrasos na chegada da matéria-prima devido a tensões internacionais, inclusive da guerra no Oriente Médio, que impactam o transporte marítimo mundial.

Histórico da taxa das blusinhas

A chamada “taxa das blusinhas” foi criada em agosto de 2024 para cobrar imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Entre agosto de 2024 e abril de 2025, essa taxa gerou R$ 8,2 bilhões em tributos.

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva extinguiu a taxa diante da queda em sua popularidade.

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