Autoridades da Rússia alertaram nesta quarta-feira (27/5) que podem suspender o fornecimento de petróleo e gás para a Armênia se o país continuar a se aproximar da União Europeia (UE). Segundo o ministério das Relações Exteriores da Rússia, uma carta enviada pelo ministro da Energia, Serguei Tsiviliov, foi entregue oficialmente à parte armênia. Na carta, o risco de suspensão do acordo de cooperação em energia entre os dois países é destacado caso a Armênia prossiga com o processo de integração à UE.
A carta direcionada ao Ministério da Administração Territorial e Infraestrutura da Armênia ainda não foi oficialmente reconhecida pelo governo armênio. O ministro Tsiviliov argumenta que estreitar vínculos com a UE pode comprometer a cooperação comercial e econômica tradicional entre Moscou e Erevan.
Dependência energética
Atualmente, a Armênia depende da Rússia para 85% do seu gás, dois terços dos seus produtos petrolíferos e metade dos diamantes brutos, tudo em condições preferenciais estabelecidas por um acordo de 2013. O presidente Vladimir Putin sugeriu recentemente que, em caso de deterioração das relações, o preço do gás para a Armênia pode aumentar consideravelmente, chegando a valores cobrados de países europeus.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ressaltou que os descontos atuais são uma contribuição da Rússia para o desenvolvimento da Armênia e que essa ajuda poderá ser revista. Segundo ele, a questão está sendo avaliada pela empresa estatal de energia Gazprom.
O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, respondeu que ameaças, mesmo que indiretas, acabam prejudicando quem as faz. O governo do país tem buscado diversificar suas fontes de energia, aumentando importações da Romênia, Egito, Bulgária e Azerbaijão.
Cresce a tensão entre os países
Em recente cúpula na capital Armênia, Erevan, o país prometeu intensificar a colaboração com a União Europeia em áreas como segurança, defesa, energia, transporte e economia digital. Essa aproximação tem gerado reações negativas da Rússia, que impôs restrições comerciais recentes contra produtos armênios, como flores, água mineral, vinhos e conhaques, e ameaça aumentar sanções a outros setores.
Além das tensões econômicas, Pashinyan e Putin divergiram sobre questões políticas internas da Armênia, com acusações mútuas sobre repressão a opositores. Em meio a esse contexto sensível, a assinatura de acordos bilaterais entre a Armênia e os Estados Unidos foi vista como um apoio internacional ao governo armênio antes das eleições legislativas marcadas para 7 de junho.
Esses movimentos mostram uma nova fase nas relações entre a Armênia e a Rússia, com possíveis impactos decisivos para a estabilidade e desenvolvimento do país do Cáucaso.
