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quarta-feira, 27/05/2026

dólar sobe e fecha a 5,06 reais com queda do petróleo

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O dólar valorizou-se frente ao real nesta quarta-feira, encerrando o dia em R$ 5,06. A alta de 0,67% foi influenciada pelo fortalecimento global da moeda norte-americana. Houve uma queda nos preços do petróleo, motivada por notícias de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz, o que pode ter pressionado o real mais do que outras moedas.

Investidores destacam que a volatilidade do câmbio, especialmente com a proximidade da eleição presidencial, tem reduzido o apelo do investimento chamado carry trade. O Banco Central deve ser cuidadoso ao ajustar a taxa Selic, principalmente após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio ter vindo acima das expectativas. Além disso, a saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira e ajustes técnicos de fim de mês também impactaram a moeda.

Durante o dia, o dólar à vista chegou a R$ 5,0709, fechando em alta de 0,67%, o maior valor de fechamento desde o dia 19 de maio. Em maio, a moeda americana acumula valorização de 2,18% contra o real, após ter recuado 4,36% em abril. No acumulado do ano, a alta é de 7,80%, depois de ter caído acima de 10% anteriormente.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, comenta que a redução do interesse pelo real ocorre em um contexto de diminuição dos fluxos de investimentos para países emergentes, sobretudo para aqueles externos ao setor de inteligência artificial (IA). Segundo ele, “O Brasil não é um player nesse sentido. Observamos uma queda expressiva dos investimentos na Bolsa nas últimas semanas, e os fluxos podem mudar rapidamente”. Em falta de indicadores econômicos fortes, as cotações seguem influenciadas pelo noticiário do conflito no Oriente Médio.

O petróleo Brent para agosto, referência para a Petrobras, fechou o dia em baixa de 4,57%, cotado a US$ 92,25 o barril. Notícias da TV estatal iraniana indicaram um possível acordo preliminar com os EUA para reabrir o Estreito de Ormuz em até um mês. Entretanto, a Casa Branca negou a veracidade deste relatório, mas o presidente Donald Trump afirmou que o Estreito estará aberto a todos, sem controle exclusivo de nenhum país.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, ressalta que o comportamento do dólar está muito ligado ao cenário internacional, mas fatores técnicos de fim de mês também aumentam a cautela e a demanda pela moeda americana.

O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, manteve-se estável, com leve viés de alta, acima dos 99.100 pontos. Investidores aguardam a divulgação de importantes indicadores econômicos nos EUA, incluindo o PIB do primeiro trimestre e o índice de preços de gastos com consumo (PCE) de abril, para avaliar a direção das taxas de juros americanas.

Robin Brooks, economista do Brookings Institute, observa que o recente choque nos preços do petróleo fez os investidores abandonarem suas apostas por queda dos juros nos EUA e cogitarem um aperto monetário. Ele acredita que um acordo de paz no Oriente Médio levaria a uma forte queda do dólar, especialmente frente a mercados emergentes, com retomada das expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Mercado de ações

O Ibovespa registrou seu segundo dia consecutivo de queda, fechando com baixa de 0,48%, aos 175.744 pontos. Fatores domésticos e globais, incluindo dúvidas sobre o conflito entre EUA e Irã, afetaram o desempenho. Na semana, o índice acumula retração de 0,26%, com perda de 6,18% no mês, embora mantenha alta anual de 9,07%. O volume financeiro do dia foi de R$ 22,7 bilhões.

Destaques positivos incluíram Usiminas (+5,90%), RD Saúde (+2,72%) e CSN Mineração (+2,66%). No lado negativo, Cosan (-6,31%), Copasa (-4,71%) e Natura (-4,13%) caíram. O analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, comenta que as incertezas sobre as negociações entre EUA e Irã influenciaram o mercado, especialmente as dúvidas sobre o destino do urânio enriquecido pelo Irã.

O petróleo também fechou em queda, com o WTI para julho a US$ 88,68, recuo de 5,55%, e Brent para agosto a US$ 92,25, baixa de 4,57%, após atingir níveis mínimos desde abril.

Os principais índices nos EUA tiveram variações pequenas, com Dow Jones +0,36%, S&P 500 +0,02% e Nasdaq +0,07%.

Donald Trump reforçou que o Irã não terá alívio nas sanções sem desistir do urânio enriquecido.

Inflação e juros

O IPCA-15 de maio mostrou desaceleração em relação a abril, mas ficou acima das expectativas de mercado, indicando inflação acumulada de 4,6% em 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central. A alimentação foi responsável por quase metade do aumento no índice.

Apesar disso, espera-se que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião de junho.

Os juros futuros fecharam praticamente estáveis, com leve viés de alta próximo ao fim do pregão, influenciados pela expectativa do resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e por um leilão expressivo de títulos prefixados previsto para quinta-feira.

O Ministério do Trabalho antecipou a divulgação do Caged de abril para quinta-feira, o que pode indicar dados fortes sobre o mercado de trabalho, podendo impactar a decisão sobre a Selic.

A analista Andréa Angelo, da Warren Investimentos, destaca que o dado do IPCA-15 não mostrou piora significativa na inflação, mantendo suas projeções para os próximos meses e para 2026 e 2027. Componentes voláteis, como condomínio e seguro de automóvel, explicam parte da alta mensal.

A maioria do mercado permanece apostando em corte de 0,25 ponto da Selic em junho, conforme o economista Flávio Serrano, do banco Bmg, que calcula essa probabilidade em 84%.

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