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Reabertura dos restaurantes: empresários e chefs irritados

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Em São Paulo, não houve uma corrida aos espaços gastronômicos. Há locais que estão lotados em seu limite legal e outros que estão vazios.

Restaurantes: a reabertura em São Paulo, durante o platô da contaminação, criou certo desconforto (Sergio Moraes/Reuters)

O mercado de restaurantes no Brasil tem um perfil um tanto diferente dos outros países. Quem frequenta geralmente acha que está pagando caro; quem recebe os clientes, no entanto, faz ginástica para fechar o orçamento. É por isso que o ramo atrai mais chefs e cozinheiros que desejam empreender do que empresários ou administradores de negócios (ao contrário do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos).

A reabertura dos restaurantes em São Paulo, durante o platô da contaminação, criou certo desconforto entre os restauranters: como ganhar dinheiro servindo apenas 30 % de seu salão? Já entre os clientes (especialmente entre os paulistanos), surgiu um dilema hamletiano: ir ou não ir? Muitas pessoas estavam sentindo uma falta enorme de sair de casa e frequentar locais públicos, dispostas a voltar às experiências etílico-gastronômicas. Outras, entretanto, preferiam ficar em casa por mais tempo e deixar as iguarias dos chefs favoritos para outra ocasião.

Em São Paulo, não houve uma corrida aos espaços gastronômicos. Há locais que estão lotados em seu limite legal e outros que estão vazios. Mas uma coisa é certa: percebe-se que os novos frequentadores estão dispostos a esquecer o coronavírus e matar as saudades de seus pratos prediletos (que seguramente não têm a mesma graça quando acondicionados em embalagens de delivery).

Momentos de crise geralmente estimulam o sentimento de hedonismo junto às pessoas. A indústria de entretenimento nos Estados Unidos, por exemplo, deu enormes saltos durante e após a primeira e a segunda guerras mundiais. Música, dança, cinema – para ficar em alguns tópicos da diversão – foram mercados que cresceram nestas épocas.

Mas, dessa vez, há o medo do inimigo invisível. O coronavírus deixa o hedonismo em stand by e desanima muitos donos de restaurantes. Um dos maiores especialistas em carnes no Brasil, Sylvio Lazzarini, dono da rede de churrascarias Varanda Grill, acredita que os restaurantes vão apresentar uma frequência maior apenas no mês que vem. Durante julho, entretanto, as férias e o receio vão afastar os clientes.

“Em nossas casas, a média de ocupação tem sido de 30 %, tanto no almoço como no jantar”, afirma Lazzarini. “Esse índice, em agosto, deverá subir, mas não vai ultrapassar a marca de 50 % de lotação tão cedo”. Lazzarini diz que criou um ritual ao receber sua clientela em seus restaurantes: ele retira, por alguns instantes, a máscara de proteção para mostrar o sorriso. Só que isso acaba provocando calafrios em uma minoria – tanto que ele tem reservado o gesto cordial apenas aos amigos mais próximos.

O percentual de pessoas que estão frequentando as casas de Lazzarini coincide com a enquete feita por MONEY REPORT há algumas semanas, quando perguntamos se os internautas voltariam a frequentar bares ou restaurantes quando fosse possível. Apenas 30 % das respostas foram positivas. E, em média, é o que está acontecendo em terras paulistanas.

Nos shopping centers, os restaurantes estão abrindo para jantar e têm conseguido um fluxo razoável – cerca de 40 % do volume pré-pandemia. Em compensação, aqueles que dependiam do fluxo das empresas, como nas regiões da Paulista ou da Vila Olímpia, estão enfrentando dificuldades. Movimento bem fraco, pois os grandes escritórios continuam apostando em deixar boa parte de sua força de trabalho no regime de home office. “No caso dos shoppings, se pudéssemos abrir desde a hora do almoço, tenho certeza de que haveria um bom público”, arrisca Juscelino Pereira, dono das casas que levam a marca Piselli.

A rentabilidade dos restaurantes foi comprometida não apenas pelo protocolo de combate ao vírus, mas também pela queda nos tíquetes de consumo. Um dos grandes vetores de receita dos estabelecimentos é o consumo de bebidas alcoólicas. Mas os clientes, em boa parte, preferem se deslocar em seus próprios veículos para não compartilhar o transporte com desconhecidos. E, assim, relutam em beber e dirigir na sequência.

O fator psicológico é preponderante para as pessoas que saem de casa e encaram os restaurantes. Apenas uma minoria teve contato com o coronavírus e desenvolveu anticorpos. “A grande maioria está mesmo de saco cheio de ficar em casa, mas nem todos têm coragem de assumir o risco”, diz o chef de um grande restaurante de São Paulo. “Alguns têm até excesso de confiança, mas muitos simplesmente cansaram, pois o ser humano não foi feito para ficar no isolamento”.

Até inventarem um vacina, seguimos numa toada em que o futuro é imprevisível. A pandemia retrocederá, como mostram alguns estudos sobre as grandes áreas contaminadas? Haverá uma segunda onda? A população já imunizada estará sujeita às mutações do coronavírus? Ninguém sabe responder essas perguntas com certeza absoluta. Apenas uma coisa é certa: muitos empreendimentos irão sucumbir, e vários deles – infelizmente – serão restaurantes.

Não temos apenas uma relação comercial com esses estabelecimentos, mas também afetiva. São locais que marcaram acontecimentos importantes em nossas vidas e foram palco de celebrações inesquecíveis. Muitas vezes, o propósito inicial dessas casas – alimentar pessoas – não tem tanta importância quanto o clima de acolhimento dos funcionários e a memória afetiva que só a gastronomia e a música podem oferecer. Por isso, aqueles que se sentem seguros em sair de suas residências (ou já estão imunizados) podem ajudar seus restaurantes favoritos. Eles não são apenas empreendimentos. São uma extensão de nossas vidas e palco de acontecimentos importantes para nós. Ajudá-los é preservar nossas memórias e abrir espaço para novas celebrações que vão gerar lembranças importantes no futuro.

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Na pandemia, mundo ganhou um novo bilionário a cada 26 horas, diz Oxfam

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Relatório da Oxfam mostra que há 55 bilionários no Brasil, com uma riqueza total de US$ 176 bilhões, que subiu 30% no mesmo período

Já a renda de 99% da população global caiu, e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza (halduns/Getty Images)

Desde o início da pandemia de Covid-19, decretada em março de 2020, um novo bilionário surgiu a cada 26 horas. Já os dez homens mais ricos do planeta mais que dobraram suas fortunas, de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão, um crescimento de US$ 15 mil por segundo, ou US$ 1,3 bilhão por dia no mesmo período.

Fazem parte dessa lista Elon Musk, da montadora Tesla, de carros elétricos; Jeff Bezos, da gigante do varejo Amazon; Bernard Arnault & família, um dos controladores do grupo LVMH, com 75 marcas; Bill Gates, da Microsoft; Larry Ellison, da Oracle; Larry Page e Sergey Brin, ambos do Google; Mark Zuckerberg, do Facebook; Steve Ballmer, também da Microsoft; e o megainvestidor Warren Buffet.

A pequena elite mundial de 2.755 bilionários viu sua fortuna crescer mais durante a pandemia do que nos últimos 14 anos.

Já a renda de 99% da população global caiu, e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza no mesmo período. A desigualdade de renda contribuiu para a morte de uma pessoa a cada quatro segundos, e estima-se que 17 milhões de pessoas morreram de Covid-19 no mundo, uma escalada de mortes que não era vista desde a Segunda Guerra Mundial.

Os dados foram levantados pela Oxfam, ONG que atua em mais de 90 países na busca de soluções para a pobreza e a desigualdade social. Os dados sobre a desigualdade global foram compilados para embasar as discussões do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

O Fórum começaria presencialmente hoje, mas foi adiado por causa do crescimento de infecções pela variante Ômicron. O encontro deverá acontecer no início do verão no Hemisfério Norte, no fim de junho. Ainda assim, hoje haverá um seminário on-line com várias autoridades sobre as preocupações globais mais urgentes.

— Se os dez homens mais ricos do mundo perdessem 99,99% de sua riqueza amanhã, eles continuariam mais ricos do que 99% de todas as pessoas do planeta. Eles têm hoje seis vezes mais riqueza do que os 3,1 bilhões mais pobres do mundo — afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Mais dez bilionários no Brasil

No Brasil, a Oxfam calcula haver atualmente 55 bilionários, com uma riqueza total de US$ 176 bilhões. Desde março de 2020, o país ganhou dez novos bilionários. A riqueza deles cresceu 30% na pandemia, o equivalente a US$ 39,6 bilhões. Os 20 maiores bilionários do país têm mais riqueza (US$ 121 bilhões) do que 128 milhões de brasileiros (cerca de 60% da população).

— No Brasil, também há uma ampla discrepância entre um grupo que prosperou muito exatamente em um momento de crise, em um cenário de desemprego elevado e aumento da fome — diz Jefferson Nascimento, coordenador da área de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil.

Segundo a ONG, a miséria e a fome explodiram no Brasil durante a pandemia. Em dezembro de 2020, 55% da população brasileira se encontravam em situação de insegurança alimentar, o equivalente a 116,8 milhões de pessoas, e 9% se encontravam em situação de fome, ou 19,1 milhões de pessoas. Trata-se de um retrocesso a patamares de 2004.

No Brasil, a fome afeta mais as mulheres e pessoas negras. A entidade aponta que 11,1% dos lares chefiados por mulheres e 10,7% dos chefiados por pessoas negras estavam passando fome no fim de 2020, frente a 7,7% dos lares chefiados por homens e 7,5% dos lares liderados por pessoas brancas.

— Regredimos 17 anos na questão da insegurança alimentar e fome, e neste momento vemos reduções de políticas públicas nesse sentido. O Bolsa Família, um programa de 2003 e que era reconhecido internacionalmente, foi extinto e substituído pelo Auxílio Brasil, em um ano eleitoral — afirma Nascimento.

O relatório da Oxfam, intitulado “A Desigualdade Mata”, revela que a alta concentração de renda contribui para a morte de pelo menos 21 mil pessoas por dia no mundo. Segundo a entidade, a conta é conservadora e se baseia nas mortes globais provocadas por falta de acesso à saúde pública, violência de gênero, fome e crise climática.

O documento aponta ainda que a pandemia atingiu grupos raciais de maneira desigual. No Brasil, por exemplo, mesmo com o avanço da vacinação, a maior parte das mortes por Covid-19 se concentra nas periferias de grandes cidades. De acordo com Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), pessoas negras no Brasil têm uma vez e meia mais chance de morrer de Covid-19 do que as pessoas brancas.

— As desigualdades têm solução, porque elas são fruto de escolhas políticas. Do jeito que a economia global está estruturada, os mais ricos continuarão se beneficiando e lucrando, enquanto bilhões de pessoas, principalmente mulheres e população negra e de etnias minoritárias, ficarão no final da fila, sujeitas à pobreza extrema, à violência e à morte — afirma Katia.

A Oxfam defende que os governos “devem reescrever as regras dentro de suas economias que criam essas diferenças colossais, além de agir de modo a pré-distribuir a renda”, afirma o relatório.

Mais tributação sobre os ricos

A ONG também argumenta que os governos deveriam recuperar os ganhos obtidos pelos bilionários durante a pandemia, tributando essa nova riqueza por meio de impostos sobre o capital. Esse dinheiro, diz a Oxfam, deveria ser investido em políticas de saúde pública universal e proteção social, além de adaptação climática e prevenção contra violência de gênero.

Os cálculos da Oxfam têm por base fontes como a lista de bilionários da revista Forbes 2021, o Global Wealth Databook 2021 do Instituto de Pesquisa do Credit Suisse, que trata de dados sobre riqueza, além de dados divulgados pelo Banco Mundial.

A ONG lembra que as desigualdades também têm efeitos sobre as mudanças climáticas globais. Estima-se que as emissões dos 20 bilionários mais ricos do mundo sejam, em média, 8 mil vezes maiores que as emissões de bilhões de pessoas mais pobres. Toda a população global sofre com o aquecimento do planeta, mas os países ricos não conseguem lidar com os efeitos de sua responsabilidade por cerca de 92% de todas as emissões históricas.

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Preço do etanol cai em 17 estados na semana; média nacional recua 0,10%

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Nos postos pesquisados pela ANP, o preço médio do etanol caiu de R$ 5,051 para R$ 5,046 o litro

O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 4,329 o litro, em São Paulo (Busakorn Pongparnit/Getty Images)

Os preços médios do etanol hidratado caíram em 17 Estados na semana entre 9 e 15 de janeiro, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilado pelo AE-Taxas. Em outros sete Estados e no Distrito Federal, os preços subiram, enquanto na Paraíba eles ficaram estáveis e no Amapá não foi possível comparar porque não houve levantamento na semana anterior.

Nos postos pesquisados pela ANP em todo o País, o preço médio do etanol caiu 0,10% na semana em relação à anterior, de R$ 5,051 para R$ 5,046 o litro.

Em São Paulo, principal Estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, a cotação média do etanol hidratado ficou em R$ 4,869 o litro, queda de 0,18% ante a semana anterior.

O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 4,329 o litro, em São Paulo, enquanto o menor preço médio estadual, de R$ 4,667, foi registrado em Mato Grosso.

O preço máximo, de R$ 7,699 o litro, foi verificado em um posto do Rio Grande do Sul. O maior preço médio estadual também foi o do Rio Grande do Sul, de R$ 6,466.

Na comparação mensal, o preço médio do biocombustível no País caiu 3,15%. O Estado com maior queda no período foi o Rio Grande do Sul, onde o litro desvalorizou 8,15% no mês.

Na apuração semanal, a maior queda porcentual de preço, de 3,84% também foi observada no Rio Grande do Sul; e a maior alta, de 1 24%, aconteceu em Mato Grosso.

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Governo amortiza impacto financeiro da seca no setor elétrico

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Publicado no DOU, o decreto cria a Conta Escassez Hídrica

(Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)© ABR

Decreto presidencial que regulamenta mecanismos para enfrentar os impactos financeiros causados pela escassez hídrica no setor elétrico foi publicado na edição de hoje (14) do Diário Oficial da União. Esse mecanismo foi criado pela Medida Provisória nº 1.078, publicada em dezembro do ano passado. 

A MP publicada em dezembro previa o uso de recursos que seriam arrecadados por meio de encargo tarifário, para lidar com os gastos a mais do setor elétrico. Por meio desses recursos buscou-se amortizar os impactos financeiros no setor.

Já o decreto publicado hoje (14) cria a Conta Escassez Hídrica, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ela receberá os recursos necessários para cobrir, “total ou parcialmente, os custos adicionais decorrentes da situação de escassez hídrica para as concessionárias e permissionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica”.

Segundo a Secretaria-Geral da Presidência da República, a MP possibilitou a estruturação de operações financeiras garantidas pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), de forma a mitigar os efeitos do aumento de custos de geração de energia elétrica sobre as distribuidoras e os consumidores de energia elétrica.

E para evitar que os consumidores que migrassem para o Ambiente de Contratação Livre se furtassem de arcar com os custos adicionais suportados pelas distribuidoras, a MP previu instituir encargo tarifário para os casos de migração.

“Dada a natureza sistêmica dos referidos custos adicionais, o encargo será suportado por todos os consumidores atendidos pelas distribuidoras impactadas, exceto na parcela dos diferimentos, os quais recairão sobre os consumidores de cada distribuidora que obtiver financiamento para esse componente”, justificou a Secretaria.

O governo espera, com o novo decreto, garantir a segurança “de todo o sistema elétrico”, de forma a permitir a célere injeção de recursos nas distribuidoras”. Ao mesmo tempo, acrescenta, busca-se possibilitar que o repasse aos consumidores dos custos adicionais observados na geração de energia elétrica se faça “de forma suave e diluída no tempo.” Agência Brasil

 

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Vendas do comércio varejista cresceram 0,6% em novembro

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De janeiro a novembro, o varejo acumula alta de 1,9%

© REUTERS/Paulo Whitaker

As vendas do comércio varejista no Brasil subiram 0,6% em novembro de 2021, após registrar 0,2% em outubro. Mesmo assim, cinco das oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas no mês. O varejo acumula alta de 1,9% até novembro e nos últimos 12 meses, também até novembro, cresceu 1,9%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostra que o avanço de 0,9% no volume de vendas da atividade de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo contribuiu para o resultado do varejo em novembro. “É a principal contribuição para o peso total, essa variação no campo positivo”, disse o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Também houve crescimento de vendas nos artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,2%). Em movimento contrário, o volume de vendas de móveis e eletrodomésticos caiu 2,3%, como também em tecidos, vestuário e calçados (1,9%), combustíveis e lubrificantes (1,4%) e livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%). O segmento Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve queda de 0,1%, o que, segundo o IBGE, apontou estabilidade.

Black Friday

Cristiano Santos lembrou que em 2021 a Black Friday foi muito menos intensa, em termos de volume de vendas, do que a do ano anterior. Em 2020, o período de promoções foi melhor, especialmente para as maiores cadeias do varejo, disse. “Isso se deve, em parte, pela inflação, mas também por uma mudança no perfil de consumo, já que algumas compras foram realizadas em outubro ou até mesmo no primeiro semestre, quando houve maior disponibilidade de crédito e o fenômeno dos descontos. Isso adiantou de certa forma a Black Friday para algumas cadeias”.

Também em novembro, o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, cresceu 0,5%. De acordo com a pesquisa, o resultado foi influenciado pelas taxas positivas de veículos, motos, partes e peças (0,7%) e material de construção (0,8%), após terem registrado resultados negativos do mês anterior, de 0,4% e 0,8%, respectivamente.

Interanual

Na comparação interanual, o varejo caiu 4,2% em relação a novembro de 2020. Das oito atividades pesquisadas, sete apresentaram taxas negativas. O destaque ficou com móveis e eletrodomésticos (21,5%), combustíveis e lubrificantes (7,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,6%) e tecidos, vestuário e calçados (4,4%).

Também recuaram, na comparação com novembro de 2020, os segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,5%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,6%), e livros, jornais, revistas e papelaria (14,4%).

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos foram a única atividade que cresceu em novembro (2,5%), na comparação com o mesmo mês de 2020. Já no comércio varejista ampliado, o setor de veículos, motos, partes e peças subiu 1,7%, se comparado a novembro de 2020. Em comportamento diferente material de construção teve queda 4,1% no período.

Estados

Na passagem de outubro para novembro de 2021, 14 das 27 unidades da federação apresentaram resultados negativos no comércio varejista. Os destaques foram Paraíba (3,1%), Piauí (3%) e Bahia (2,8%). No campo positivo, foram 13 unidades da federação, sendo as principais Roraima (3,7%), Rio de Janeiro (2,8%) e Distrito Federal (2,7%).

Também no comércio varejista ampliado, 14 unidades recuaram nas vendas. As mais intensas foram na Paraíba (6,8%), Tocantins (6,1%) e Alagoas (5,1%). Em sentido oposto, 12 unidades da federação, ficaram no campo positivo, com destaque para Rio de Janeiro (2,1%), Amazonas (1,9%) e Rondônia (1,7%). O Amapá ficou estável.

Pesquisa

De acordo com o IBGE, a Pesquisa Mensal de Comércio, criada em 1995, produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do comércio varejista no país, levando em consideração a receita bruta de revenda nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, e cuja atividade principal é o comércio varejista.

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Inflação do Brasil é a 3ª maior em ranking com as principais economias

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O IPCA ficou em dois dígitos em 2021, com alta de 10,06%, o maior aumento desde 2015 (10,67%), e superou em muito o teto da meta de inflação (5,25%) – o centro era de 3,75%

(Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A inflação brasileira em 2021, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ser a terceira mais alta entre as principais economias do mundo, ficando apenas atrás da Argentina e da Turquia, segundo levantamento da economista-chefe Andrea Damico, da Armor Capital, com os dados da plataforma CEIC Data.

O IPCA ficou em dois dígitos em 2021, com alta de 10,06%, o maior aumento desde 2015 (10,67%), e superou em muito o teto da meta de inflação (5,25%) – o centro era de 3,75%. O desvio em relação à banda superior do objetivo a ser perseguido pelo Banco Central foi o maior em quase 20 anos, uma vez que, em 2002, o “estouro” foi de mais de 7 pontos porcentuais.

Alguns países ainda não divulgaram o dado de dezembro e o fechado de 2021. Neles, o levantamento considerou a taxa em 12 meses até novembro do ano passado. É o caso da Argentina, onde a inflação ao consumidor acumulava 51,2% em 12 meses até novembro.

Na Turquia, o índice saltou 36,08% de janeiro a dezembro, um recorde em 20 anos, em meio à intervenção do presidente Recep Tayyip Erdogan no Banco Central do país, com pressão para reduzir juros.

O índice chinês acumulou 1,50% no ano passado. Já a economia americana teve a maior alta de preços desde junho de 1982 (7%), também ultrapassando a meta de 2,0%.

Responsável pelo levantamento, Andrea Damico reconhece o caráter global da alta de preços, com o aumento de commodities (produtos básicos como alimentos, petróleo e minério) e o choque de custos no atacado, em parte explicado pelos problemas na cadeia de suprimentos, espalhando-se para o varejo. Mas argumenta que os sinais de problema vieram antes no Brasil. Enquanto os preços no atacado começaram a subir no mundo em 2021, no País, o salto já era claro no segundo semestre de 2020, turbinado pela alta atípica de dólar e commodities.

Para os economistas do Bradesco, a inflação ao consumidor deve perder força no mundo, mas continuará acima do ritmo de alta dos preços de antes da pandemia, mantendo assim sob pressão os bancos centrais de países emergentes.

Ao apresentar previsão de uma queda de 5,06% para 2,77% na inflação de 2022 contra 2021 em 74 países – excluindo Venezuela e Argentina do grupo -, o Bradesco atribui o alívio ao fato de os preços já terem subido demais e à tendência de maior equilíbrio entre demanda, pressionada pelo aumento dos juros, e oferta, que tende a melhorar com a redução dos gargalos de produção.

Aumento de preços nos países ricos é má notícia para o País

A inflação fechou 2021 em alta em quase todo o mundo. Nos EUA, chegou a 7%, a mais alta em quase 40 anos. Na Zona do Euro, a 5%. E esse resultado nos países ricos não é uma boa notícia para o Brasil e os demais emergentes. Isso porque o remédio tradicional para se combater a inflação é o aumento dos juros. E se os juros se tornam mais atrativos em países considerados seguros para o investidor colocar seu dinheiro, a tendência é fugir de países considerados mais problemáticos para os investimentos, como o Brasil.

No caso brasileiro, o cenário é ainda mais complicado em 2022 por conta da eleição, que deve deixar o cenário econômico mais turbulento.

 

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Gasolina e diesel deveriam subir mais para manter paridade, diz Abicom

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De acordo com a entidade, a gasolina está, em média, 6% abaixo do preço praticado no mercado internacional, e o óleo diesel, 7%

Combustíveis: Para equiparar com os preços externos, a estatal teria que aumentar em média o valor de venda nas refinarias em R$ 0,19 e R$ 0,25 o litro, respectivamente (Marcos Santos/Agência USP)

Apesar dos reajustes da gasolina e do diesel realizados nesta quarta-feira, 12, pela Petrobras, os preços continuam defasados no mercado interno e impedem as importações dos derivados, informa a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). De acordo com a entidade, a gasolina está, em média, 6% abaixo do preço praticado no mercado internacional, e o óleo diesel, 7%. Para equiparar com os preços externos, a estatal teria que aumentar em média o valor de venda nas refinarias em R$ 0,19 e R$ 0,25 o litro, respectivamente.

A Ativa Investimentos também informou ontem que ainda há espaço para a Petrobras aumentar o preço da gasolina em mais 5% (cerca de R$ 0,15), mesmo após o anúncio da última revisão de preço.

A Petrobras reajustou na quarta-feira a gasolina em 4,8% e o diesel em 8%, após o preço do petróleo dar indicações de que deve se manter em patamar alto, em torno dos US$ 80 o barril. Por volta das 9h30 desta quinta-feira, os contratos da commodity para março eram negociados a R$ 84,59 o barril.

A estatal afirma que mantém a paridade com os preços de importação (PPI), mas que só reajusta os preços quando há mudança estrutural e não conjuntural.

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