PAULO RICARDO MARTINS
FOLHAPRESS
Portos brasileiros que movimentam contêineres planejam investir mais de R$ 10 bilhões até 2029 para aumentar a capacidade e aprofundar os canais de acesso. O objetivo é superar a atual limitação da infraestrutura e permitir a chegada de navios maiores e mais modernos.
A pesquisa foi realizada pela consultoria Solve Shipping, especializada nos setores logístico e de comércio exterior. Os investimentos serão feitos em portos de nove estados das regiões Sudeste, Nordeste e Sul.
Leandro Carelli, sócio da Solve Shipping, destaca que as obras no porto de Itapoá (SC) são uma das ações mais significativas do setor. O terminal privado pretende aplicar R$ 500 milhões para finalizar a quarta fase de expansão, que inclui o aumento do cais e a compra de equipamentos essenciais para movimentar contêineres em navios maiores.
Além disso, o porto aguarda a conclusão da dragagem no canal de acesso ao Complexo Portuário da baía da Babitonga. O aprofundamento, que custou mais de R$ 324 milhões, permitirá a atracação de navios maiores na região.
O maior investimento, no valor de R$ 300 milhões, é do porto Itapoá, que será pago até 2037. O porto de São Francisco do Sul, na margem oposta da baía, contribuiu com R$ 24 milhões para a obra.
Alberto Machado, gerente de comunicação do porto Itapoá, afirma que a dragagem deve ser concluída entre junho e julho, seguida de testes e homologação, com o canal totalmente aprofundado no segundo semestre.
Com a conclusão das obras, a profundidade do canal externo crescerá de 14 para 16 metros, permitindo que navios de até 366 metros operem.
Leandro Carelli explica que essa mudança facilita a logística dos grandes navios vindos de outras regiões, como a Ásia. Esses navios podem descarregar parte da carga em Itapoá para seguir mais leves a outros portos com calados menores, que não recebem embarcações grandes em plena capacidade.
A pesquisa exclui o megaterminal Tecon Santos 10, em Santos (SP), que ainda está em fase de definição para leilão. Segundo Carelli, para aumentar a capacidade de movimentação de contêineres, é fundamental que esse e outros projetos avancem até 2035, caso contrário, o setor seguirá operando acima da capacidade.
No terminal Portonave, em Navegantes (SC), serão investidos mais de R$ 2 bilhões. Com isso, o cais será adaptado para operar com até 17 metros de profundidade, recebendo navios de até 400 metros, diferente dos atuais que operam com menos de 14 metros.
Osmari de Castilho Ribas, diretor da Portonave, destaca que estarão prontos para receber a nova geração de navios de até 366 metros, que já começam a operar no Brasil.
Também será preparada a infraestrutura para futura instalação de sistema de fornecimento de energia elétrica aos navios atracados. A Portonave usará parte dos recursos para adquirir nove novos equipamentos, incluindo guindastes e scanners de contêineres.
O terminal planeja ampliar sua capacidade anual de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).
Em Pernambuco, a APM Terminals está construindo um novo terminal em Suape, com início previsto para o segundo semestre deste ano e investimento de R$ 2,1 bilhões.
Em entrevista à Folha na feira Intermodal South America, o diretor de Investimentos da APM Terminals para as Américas, Leonardo Levy, afirmou que o novo terminal está preparado para navios maiores, mas que é preciso que vários portos estejam prontos, pois navios não param em apenas um terminal no país.
