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domingo, 03/05/2026

Canetas para emagrecer aumentam preconceito contra pessoas gordas

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A popularidade dos medicamentos injetáveis para emagrecer, conhecidos como canetas para emagrecer, tem causado muita discussão. Mesmo com seus resultados visíveis e apoio de associações médicas, esses remédios são usados por muitas pessoas sem acompanhamento médico ou por aquelas que não têm obesidade.

Em entrevista ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibido na última segunda-feira (27), a professora Fernanda Scagluiza, das faculdades de Saúde Pública e de Medicina da USP, explica que a procura pelas canetas está ligada à “economia moral da magreza”. Isso significa que a sociedade valoriza de forma diferente os corpos: o corpo magro ou atlético é considerado bom e fruto de esforço, enquanto o corpo com sobrepeso é visto como preguiçoso, indisciplinado e associado a estereótipos negativos como falta de higiene.

Scagluiza explica que, socialmente, pessoas magras têm mais vantagens no trabalho, na escola e em relacionamentos, enquanto pessoas gordas enfrentam discriminação e menos direitos. Os padrões de beleza mudam com o tempo, mas sempre restringem a diversidade para favorecer indústrias que vendem soluções rápidas.

A especialista destaca que, atualmente, nunca se está magro o bastante, e qualquer gordura é vista com preconceito, o que prejudica principalmente as mulheres, mas também outros grupos. O movimento de aceitação do corpo dos anos 2010 trouxe algumas mudanças, mas limitadas, e as canetas podem incentivar uma magreza excessiva, o que é perigoso para crianças e adolescentes.

Para as mulheres, em um contexto de violência, machismo e conservadorismo, a obsessão pela magreza funciona como uma distração política, desviando a atenção de causas importantes.

Scagluiza fala sobre o uso excessivo de remédios para deixar o corpo considerado saudável segundo padrões estéticos, transformando a alimentação em uma questão médica. Em um estudo, pessoas que usam as canetas chamam o remédio de “vacina contra a fome”, fazendo da fome algo opcional e levando a hábitos como restrição alimentar severa, uso de náuseas para evitar comer e a perda dos momentos tradicionais das refeições. Isso coloca em risco a saúde física e mental, além de direitos como a alimentação adequada.

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