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domingo, 03/05/2026

Crise no mercado de máquinas agrícolas com juros altos e preços baixos dos grãos

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Em Brasília

MARCELO TOLEDO
FOLHAPRESS

O setor agrícola enfrenta desafios que vêm se acumulando há anos, afetados por conflitos internacionais, taxas de juros elevadas e preços baixos de algumas commodities, o que impacta diretamente na compra de máquinas como tratores e colheitadeiras, principalmente nas regiões produtoras de grãos.

Luis Felli, 60 anos, líder global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da Agco, que também controla marcas como Valtra e Fendt, observa uma queda significativa nas vendas. Durante a feira Agrishow realizada em Ribeirão Preto, foi registrado um decréscimo de 25% nos negócios comparado ao ano anterior. Para este ano, espera-se que o volume financeiro das vendas de máquinas agrícolas caia ainda mais, pois as negociações têm priorizado máquinas menores e mais baratas.

Segundo Felli, o mercado deve encolher entre 5% a 8%. Embora o número de máquinas menores possa permanecer estável ou até subir um pouco, principalmente no setor de café, a venda de máquinas maiores será menor, resultando em um tíquete médio inferior.

Em termos financeiros, o setor deixou de arrecadar pelo menos R$ 3,2 bilhões na Agrishow, que teve R$ 11,4 bilhões em intenções de negócio. Situação semelhante foi vista na Tecnoshow, em Rio Verde (GO), que teve uma queda de 30% nos negócios em relação ao ano anterior.

No primeiro trimestre, o varejo de máquinas agrícolas vendeu 9.800 unidades, uma queda de 13,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Anfavea.

Os principais obstáculos enfrentados incluem a dificuldade na importação de fertilizantes, preços elevados do diesel, taxas de juros altas e prolongadas, preços baixos das commodities, além da valorização do real. Segundo Felli, essas condições pressionam fortemente os produtores rurais e desestimulam investimentos.

Uma linha de crédito de R$ 10 bilhões anunciada durante a Agrishow com juros abaixo de 10% pode ajudar o setor, desde que o acesso seja facilitado, incluindo a participação de instituições como o Banco do Brasil.

Na feira, a Massey Ferguson apresentou tratores menores para a agricultura familiar, atendendo a uma demanda não contemplada anteriormente pela marca. Além disso, a empresa trabalha no desenvolvimento de máquinas movidas a etanol, com previsão de lançamento em 2028, resultado de investimentos anuais entre 4,5% e 5% do faturamento global.

Felli destacou que esses veículos a etanol já passam por testes rigorosos para melhorar desempenho e durabilidade, e espera que tenham preço semelhante aos tratores a diesel.

Segurança energética

Para Felli, a descarbonização das máquinas agrícolas é uma tendência inevitável, mas a segurança energética tornou-se uma necessidade urgente, principalmente devido à guerra no Irã.

Os motores a diesel estão sendo aprimorados para reduzir o consumo, e tecnologias como motores Ecopower combinados com transmissão CVT podem cortar o gasto de combustível em até 30% comparado aos modelos tradicionais. O uso do biodiesel também é estratégico para o Brasil, com a mistura obrigatória de 30% ou mais no diesel, o que contribui para a segurança energética do país.

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