O aumento da taxa Selic tem sido o maior obstáculo para que as ações de empresas pequenas e médias, conhecidas como small caps, possam se recuperar e diminuir a diferença de desempenho em relação ao Ibovespa. Especialistas consultados pelo Broadcast apresentam opiniões divergentes sobre o momento de investir nesses papéis, embora a taxa básica de juros tenha começado a cair em março.
Werner Roger, CIO e sócio-fundador da Trígono Capital, aconselha esperar antes de investir em small caps. Ele destaca que os juros ainda estão altos no cenário nacional e que os investidores estrangeiros que aplicam em ações não são os mesmos que investem em renda fixa.
Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, também recomenda cautela, mas sugere que investidores com perfil mais arrojado podem considerar uma pequena exposição a esses ativos. Ele relembra que o último momento positivo para ações de empresas médias e pequenas foi em meados de 2021, desde então houve queda significativa no valor dessas ações.
Para que haja melhora nas small e mid caps, segundo Utsch, é necessária a combinação de queda dos juros, melhora da situação fiscal e um cenário eleitoral favorável ao mercado. Quando a Selic fica entre 10% e 12%, essas ações começam a apresentar mais atratividade.
Victor Bueno, analista da Nord Investimentos, concorda que os juros altos limitam o desempenho das small caps e alerta para evitar empresas altamente endividadas ou que dependam muito de indicadores econômicos. Entretanto, ele diverge dos outros especialistas e acredita que investidores arrojados podem aumentar suas posições nesse segmento.
Uma comparação entre o índice Ibovespa e o índice de small caps da B3 nos últimos cinco anos evidencia esse impacto: em março de 2021, com a Selic em 2,75%, o Ibovespa cresceu 62,2%, enquanto o índice de small caps caiu 14,7% com a Selic em 14,75%.
O perfil do investidor é fundamental, pois ações de pequenas e médias empresas apresentam alta volatilidade e demandam maior tolerância a riscos.
Setores com potencial em small caps
Especialistas divergem sobre o setor da construção civil. Bueno recomenda focar em construtoras voltadas à baixa e alta renda, enquanto Utsch vê oportunidades em empresas que atendem a um público de renda média, como Eztec, Tecnisa, Even e Mitre.
Werner destaca que a possível queda dos juros pode beneficiar construtoras como Cyrela e Lavvi, além de apontar a Embraer como uma boa alternativa para os investidores.
No agronegócio, empresas do setor são vistas como boas opções, assim como algumas do varejo esportivo, como Vulcabrás e Vivara, que têm se destacado recentemente.
Cautela também para o Ibovespa
O Ibovespa, apesar de ser menos sensível a fatores domésticos e mais influenciado pelo cenário internacional, pode enfrentar queda no curto prazo devido ao conflito no Oriente Médio, alerta Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Segundo Gabriel, a guerra nessa região afetou os juros e causou migração dos investimentos para a renda fixa. O impacto foi amenizado pela forte participação do setor de petróleo no índice.
O fechamento do Estreito de Ormuz, que representa 20% do transporte mundial de petróleo, elevou os preços do barril para acima de US$ 100,00.
Para quem busca segurança, Mollo sugere investir em empresas com fundamentos sólidos, como Taesa, e cogita o setor de seguros como uma oportunidade caso o conflito se prolongue.
Estadão Conteúdo
