Carlos Villela
Folhapress
Dois anos depois do desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul, 42 escolas da rede estadual ainda estão com obras em andamento.
Essas escolas ficam na região metropolitana de Porto Alegre e nos vales, áreas bastante afetadas pelas enchentes, chuvas fortes e deslizamentos de terra. Canoas tem sete escolas em obra e Guaíba, cinco.
De acordo com a Secretaria da Educação, sete escolas funcionam temporariamente em outros locais enquanto novos prédios estão sendo construídos ou planejados. Os alunos foram transferidos para escolas próximas para facilitar o transporte.
O governo informou que as escolas em reforma continuam funcionando e que todas as obras devem ser concluídas até o final deste ano.
A Secretaria Estadual de Obras Públicas explicou que algumas escolas estão em reforma por motivos que vão além dos danos causados pelas enchentes, incluindo melhorias na infraestrutura.
Desde as enchentes, 164 escolas passaram por reformas, injetando cerca de R$ 185 milhões, das quais 105 já foram finalizadas.
Essas reformas foram financiadas com recursos estaduais e federais através do Funrigs, um fundo criado para administrar verbas destinadas à recuperação do estado após a tragédia de 2024. O fundo inclui recursos do governo estadual, repasses da União, operações de crédito e doações.
Ao todo, 1.104 escolas foram afetadas por alagamentos, bloqueios e suspensão de atividades, quase metade da rede estadual. Apenas as 611 escolas estaduais danificadas representam cerca de uma em cada quatro das 2.300 escolas da rede.
As intervenções vão desde limpeza e reposição de equipamentos até grandes reformas estruturais, como troca de telhados, recuperação de banheiros e renovação das redes elétricas. Nos primeiros meses após as enchentes, o governo investiu cerca de R$ 19 milhões para garantir conjuntos completos de material escolar para 189 escolas em 59 municípios.
Em Roca Sales, no vale do Taquari, cerca de 200 alunos da Escola Padre Fernando estudam temporariamente em um espaço alugado pela paróquia São José.
A escola foi fechada depois da enchente do rio Taquari em setembro de 2023 e voltou a ser inundada em maio de 2024. O local sofreu duas inundações que deixaram 31 mortos em uma cidade de 11 mil habitantes. A escola será construída em um novo lugar, fora da área de risco, com conclusão prevista para o segundo semestre do próximo ano.
As reformas também contaram com a ajuda da comunidade, especialmente em escolas infantis em cidades menores.
Em Muçum, vizinha a Roca Sales, a população precisou se mobilizar duas vezes para reconstruir a rede municipal.
Rogéria Sperotto, coordenadora pedagógica, relatou as enormes perdas causadas pelas enchentes, com escolas totalmente destruídas, incluindo móveis e equipamentos, deixando só as estruturas em pé.
A tragédia atingiu a todos, com professores, funcionários e pais ajudando na limpeza e reconstrução, enfrentando dificuldades para garantir transporte e aulas.
Uma escola de educação infantil, que havia sido reinaugurada em fevereiro de 2024, foi novamente alagada poucos meses depois. Parte dos móveis foi salva, mas o prédio sofreu muitos danos, resultando na suspensão das aulas mais uma vez.
Outra escola, o Colégio Municipal Alternativo, teve perdas totais e não reabrirá, pois precisaria ser reconstruída completamente. A escola Castelo Branco também foi atingida, tendo a água alcançado o segundo andar.
Rogéria disse que as quatro escolas já foram reformadas e equipadas com doações e verbas públicas, com envolvimento ativo da comunidade e empresários. A tragédia aproximou ainda mais as famílias das escolas, favorecendo participação dos pais em eventos.
Ela destacou o desafio para retomar as atividades pedagógicas e afirmou que a comunidade escolar ainda está se reconstruindo.
“As crianças se sentem inseguras em dias de chuva, perguntando se haverá nova enchente. Estamos trabalhando para reconstruir a sensação de segurança e confiança aos poucos”, afirmou Rogéria.
