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segunda-feira, 04/05/2026

Usuários de crack se espalham por 260 locais em Santa Cecília

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Clayton Castelani
São Paulo, SP (FolhaPress)

Usuários de crack estão se deslocando constantemente por cerca de 260 locais no bairro de Santa Cecília e áreas próximas, na região central de São Paulo.

As operações policiais frequentes resultam em um movimento constante desses usuários, que circulam em turnos, fazendo com que o número de pessoas em um endereço varie de zero a dezenas em questão de dias ou horas.

Um ano depois que o principal ponto da cracolândia, onde mais de mil pessoas se concentravam na rua dos Protestantes até maio de 2025, foi esvaziado, a média diária é de 214 usuários por turno (madrugada, manhã, tarde e noite), conforme dados oficiais obtidos pela Folha entre 20 e 23 de abril.

Atualmente, os grandes grupos são raros. Conforme o relatório do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), a maioria dos registros mostra usuários desacompanhados ou em duplas, com uma média inferior a um usuário por turno nesses locais.

A praça Marechal Deodoro é o principal ponto de concentração nesta área do centro de São Paulo. Próximo ao número 43, há uma média de 22 usuários por turno, com picos de até 35 pessoas observadas em determinados momentos, mas também períodos sem ninguém.

O movimento nesse local se estende por diferentes pontos da praça, totalizando uma média de 29 usuários por período.

Essa praça mantém uma presença constante e níveis elevados de usuários mesmo nos momentos de menor aglomeração na Santa Cecília.

O segundo maior ponto é a avenida Rio Branco, 940, com uma média de 12,5 usuários por turno. Levando em conta todos os 26 pontos monitorados na avenida, a média sobe para 24 por período, pouco acima da média de um único ponto da praça Marechal Deodoro.

Outros locais com alto movimento incluem a praça Princesa Isabel, 75 (dez usuários), a rua Apa, 83 (nove usuários), e a avenida Duque de Caxias, 75 (sete usuários).

Estes dados ajudam a entender as diferentes percepções dos moradores: alguns comemorar a ausência constante de usuários, enquanto outros ainda relatam sua presença ocasional nas portas de suas casas.

O vice-governador e coordenador das ações na cracolândia, Felício Ramuth (MDB), explica que esse deslocamento faz parte da estratégia de monitoramento e abordagem que resultou na desmobilização da principal área de uso há um ano.

Em parceria com a prefeitura, o governo utiliza drones e câmeras para contar diariamente os usuários e localizar pequenos pontos de venda de drogas. Policiais militares e guardas-civis realizam revistas e recolhem provas para possíveis prisões em flagrante.

Simultaneamente, assistentes sociais abordam os usuários nas ruas para incentivar o tratamento no Hub de Cuidados em Crack e outras Drogas, localizado no Bom Retiro. O centro oferece os primeiros atendimentos sociais e médicos, encaminhando os casos graves a hospitais especializados ou comunidades terapêuticas.

Críticos afirmam que a cracolândia foi dividida em pequenas partes espalhadas pela cidade, mas a gestão do governador Tarcísio de Freitas contesta, afirmando que a cracolândia como território centralizado acabou, porque os traficantes não têm mais liberdade para atuar livremente sem a ação do poder público.

Ramuth reconhece que o consumo de crack nas ruas ainda é um desafio em outras áreas da capital e do estado.

Os próximos passos envolvem aplicar o conhecimento da área de Santa Cecília, República e Bom Retiro em outras regiões do centro, como a proximidade da Ceagesp (zona oeste) e a avenida Roberto Marinho (zona sul).

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