Um casal de pastores residentes em Goiânia registrou uma queixa contra um advogado, acusando-o de aplicar um golpe envolvendo a venda de uma camionete. O episódio teria ocorrido em outubro do ano passado, mas o boletim de ocorrência foi formalizado apenas em 30 de abril.
Os pastores relataram à Polícia Civil que conheciam o advogado há dez anos, por meio da igreja, e que a relação entre eles era baseada na fé e na confiança. Segundo os relatos, o advogado afirmou que Deus o teria orientado a doar a camionete para a igreja e entregou as chaves do veículo ao pastor.
Após cerca de dois meses com o carro sob a responsabilidade do pastor, o advogado retornou acompanhado de outro advogado, alegando que a esposa dele não permitia que o veículo permanecesse com o pastor, e levou o automóvel.
Em outubro, o advogado procurou o casal novamente, propondo uma troca envolvendo os dois carros dos pastores. Inicialmente hesitantes, eles acabaram aceitando a oferta, confiando no advogado que dizia ajudar a obra de Deus e afirmava ser uma oportunidade para adquirirem um carro melhor.
Transferência e problemas
Alguns dias depois, o suspeito apareceu na casa dos pastores dirigindo a camionete. Ele garantiu que o veículo estava em seu nome e que bastava o pagamento do IPVA atrasado para realizar a transferência.
Confiando na boa-fé do advogado, o casal permitiu que os carros fossem levados. Posteriormente, foram chamados ao cartório para assinar a transferência dos veículos.
Os pastores afirmaram ter quitado o IPVA do ano anterior e parcelado o do ano vigente. Contudo, a camionete apresentou problemas no motor, necessitando de um conserto avaliado em cerca de R$ 10 mil. Após esse incidente, o advogado deixou de aparecer pessoalmente e manteve contato somente por mensagens.
De acordo com o casal, depois do pagamento integral do IPVA, entraram em contato para cobrar a transferência do veículo. Foi então que o advogado começou a alegar dívidas inexistentes, como um valor de R$ 30 mil relacionado a uma casa e honorários advocatícios, afirmando que só realizaria a transferência mediante o pagamento dessas quantias.
Ao contestarem essas alegações, o advogado mudou o tom e passou a ameaçar e ofender os pastores.
Investigação em andamento
Após consultarem outro advogado, os pastores descobriram que a camionete não pertence ao suspeito, mas ao pai dele, e que o veículo está em inventário, o que impede sua venda.
O caso encontra-se sob investigação da 15ª Delegacia de Polícia de Goiânia.
