O Dia do Trabalho, celebrado em 1º de maio, nasceu de uma grande greve realizada por trabalhadores em Chicago, nos Estados Unidos, em 1886. Neste movimento, os trabalhadores exigiam a redução da jornada de trabalho, que na época podia chegar a 16 a 17 horas por dia, para um máximo de oito horas, além de melhores condições de trabalho. Essa luta resultou em confrontos violentos entre os manifestantes e a polícia, com mortes de ambos os lados.
O dia 1º de maio foi reconhecido internacionalmente durante a reunião da Segunda Internacional, realizada em Paris em 1889. Nesse congresso, foi organizada uma manifestação mundial para o dia 1º de maio de 1890, em homenagem aos trabalhadores que morreram em Chicago e em defesa da jornada de oito horas de trabalho. Segundo o professor Bernardo Kocher, do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), essa data passou a ser um símbolo mundial da luta contra os empregadores, que resistiam à redução da jornada por acharem que isso aumentaria os custos.
No Brasil, a celebração do Dia do Trabalho começou em 1890, pouco tempo depois da Proclamação da República. As primeiras comemorações foram marcadas por manifestações cívicas e por direitos republicanos, sem o caráter conflituoso visto em outros países. Conforme explica o professor Kocher, a classe trabalhadora brasileira ainda estava dividida e buscava reconhecimento. Em 1906, o 1º Congresso Operário Brasileiro introduziu a perspectiva de luta de classes, influenciado pelo anarcossindicalismo. Nas décadas seguintes, a influência dos comunistas e a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, transferiram o foco para a intervenção do Estado. Em 1940, Vargas decretou o Dia do Trabalho como feriado nacional, mudando o nome de Dia do Trabalhador para Dia do Trabalho e diminuindo o seu significado original de greve.
Para Kocher, hoje o feriado perdeu parte da sua importância, pois a classe trabalhadora deixou de ter o protagonismo de antes, devido às transformações no mercado de trabalho, como a adoção da jornada de oito horas, avanços tecnológicos e a globalização. Ele compara o debate atual sobre a redução para seis dias úteis (modelo 6×2) com as discussões do passado, apontando a resistência dos empresários e a necessidade de intervenção estatal para garantir direitos, como ocorreu historicamente com pressões sociais, incluindo a Revolução Russa.
A Reforma da Previdência de 2019, segundo o professor, piorou a precarização do trabalho ao permitir que empregados com carteira assinada possam ser demitidos aos 75 anos sem direito a indenização. Isso mostra a maior influência do mercado sobre as relações de trabalho, evidenciando a pejotização e a redução salarial.
O professor Marco Santana, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ), reforça que o 1º de maio continua com um caráter político de luta e lembrança. Ele destaca que os direitos dos trabalhadores são frutos de conflitos sociais e não concessões naturais. No século 21, essa data denuncia a precarização, o trabalho informal, o trabalho oferecido por aplicativos e o enfraquecimento dos sindicatos. As pautas atuais também incluem o trabalho de cuidado, questões raciais, ambientais e tecnológicas, além da crítica a jornadas exaustivas como o modelo 6×1.
Em países onde o dia 1º de maio não é feriado, são realizadas manifestações em defesa dos direitos dos trabalhadores. Na Nova Zelândia, a comemoração ocorre na quarta segunda-feira de outubro, homenageando as batalhas locais pela jornada de oito horas. Na Austrália, a data varia conforme a região. Já nos Estados Unidos e no Canadá, o feriado é celebrado na primeira segunda-feira de setembro, para evitar qualquer associação com o movimento socialista.
Com informações da Agência Brasil
