BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS
Funcionários técnico-administrativos de 53 instituições federais de ensino estão em greve, abrangendo 150 campi. Eles afirmam que a paralisação ocorre devido ao descumprimento de acordos feitos com o governo federal desde a última greve, em 2024.
Naquele ano, a mobilização, que também incluiu professores, durou cerca de três meses. Ao final, os servidores e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) concordaram com um reajuste salarial médio de 31,2% em quatro anos.
Também foi acertada uma reestruturação nas carreiras, reduzindo o tempo de progressão de 18 para 12 meses e garantindo aceleração a cada cinco anos, possibilitando alcançar o topo funcional em 15 anos.
O ponto de discordância está nas promessas não salariais feitas pela ministra Esther Dweck. Os servidores reivindicam a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e a jornada de trabalho de 30 horas semanais.
O RSC permite o avanço na carreira e ganhos salariais reconhecendo práticas como gestão, ensino e pesquisa, sem restringir apenas ao diploma acadêmico.
Com essas reivindicações, a mobilização teve início em 26 de fevereiro. Segundo Cristina del Papa, coordenadora geral da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil), “não fazemos greve contra as instituições onde trabalhamos nem contra o governo, mas sim por cumprir o acordo”.
Entre as instituições em greve estão algumas das maiores universidades federais do país, como UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Algumas aulas e serviços, como laboratórios e comunicação, estão paralisados, enquanto os restaurantes universitários continuam funcionando na maioria das instituições, por serem terceirizados.
Posição do Governo
O MGI informou que o governo comprometeu-se a incorporar em lei vários pontos solicitados pelas entidades sindicais relacionados ao RSC. O projeto de lei 5.874, de 2025, foi aprovado pelo Congresso e sancionado pela presidência, e estabelece que o RSC será parte do plano de carreira da categoria a partir de abril deste ano.
Esse projeto prevê aumentos salariais entre 5% e 23%. Para os servidores, no entanto, o acesso e os benefícios deveriam ser mais amplos.
Quanto à jornada de trabalho de 30 horas semanais (seis horas diárias consecutivas), a legislação a contempla apenas para atividades que envolvem atendimento ao público externo.
