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sexta-feira, 24/04/2026

Governo vai aumentar a mistura de etanol na gasolina em maio para reduzir impacto da guerra no Irã

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Em Brasília

JOÃO GABRIEL
FOLHAPRESS

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja aumentar a quantidade de etanol misturado na gasolina, passando de 30% para 32%, a partir de maio deste ano.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comunicou a aliados que em breve convocará uma reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) para discutir essa alteração. A decisão precisa ser aprovada por todos os órgãos envolvidos.

Essa mudança é apoiada por representantes do agronegócio e tem como objetivo diminuir a dependência do Brasil em relação aos combustíveis importados, que tiveram seus preços elevados devido aos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã iniciados em março.

O governo está preocupado com o custo dos combustíveis para a população, já que um aumento nos preços pode afetar negativamente o desempenho eleitoral do presidente Lula, especialmente com o crescimento nas pesquisas de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

Alexandre Silveira já havia anunciado essa intenção no início de abril.

Atualmente, a Petrobras domina quase todo o mercado de gasolina no país, o que reduz o impacto dos preços internacionais do petróleo, que ultrapassaram US$ 100 por barril desde o começo do conflito. Ainda assim, o Brasil importa cerca de 15% da gasolina que consome.

Estima-se que aumentar a mistura para 32% reduziria essa importação em cerca de 5%.

A guerra no Irã também fechou o estreito de Hormuz, por onde passa 80% do petróleo mundial, elevando os preços internacionais do barril.

No Brasil, o principal efeito tem sido no diesel, pois o país importa cerca de 25% do que consome em diesel e a Petrobras tem menos controle sobre esse mercado.

Desde o início do conflito, o governo já zerou os impostos PIS/Cofins e oferece subsídios para combustíveis produzidos no Brasil e importados, tentando conter a alta dos preços.

O setor do agronegócio critica essa política, alegando que ela beneficia importadoras de combustíveis fósseis e pedindo que o governo incentive a produção nacional sustentável, aumentando a mistura de biodiesel no diesel, atualmente em 15%.

Estudos indicam que 40% das fábricas de biodiesel estão paradas por falta de demanda. Se forem ativadas, poderiam produzir entre 4 a 5 bilhões de litros de biodiesel por ano, suficiente para elevar a mistura para até 18%.

Esse aumento também precisa ser aprovado pelo CNPE, e são aguardados estudos técnicos que confirmem a viabilidade da medida para inclusão na pauta.

Até o momento, o governo zerou impostos e concedeu subsídios para o diesel, mas não para a gasolina.

Na última quinta-feira (23), a liderança do governo na Câmara apresentou um projeto de lei para ampliar benefícios fiscais também para gasolina, etanol e biodiesel, condicionados à compensação com faturamento extra proveniente da exportação de petróleo.

A proposta será discutida na reunião de líderes da Câmara marcada para a próxima terça-feira (28).

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