O delegado Christian Zilmon, que atuava em Cocalzinho de Goiás, foi transferido para Águas Lindas de Goiás após a prisão da advogada Áricka Cunha gerar polêmica na região. Após a transferência, um vídeo dele se despedindo emocionado da unidade policial circulou nas redes sociais.
Na gravação, o delegado destaca que suas lágrimas não são pela injustiça, mas pelo apoio recebido, valorizando as amizades feitas durante o tempo em que trabalhou na unidade. Ele agradeceu o respeito e o carinho da equipe policial.
A transferência foi oficializada pelo delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Gustavo Corteze Ganga, numa decisão assinada em 22 de abril.
Contexto da transferência
A movimentação ocorreu após pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), que solicitou o afastamento do delegado argumentando que ele teria violado prerrogativas da advocacia durante a prisão da advogada.
O Conselho Superior da Polícia Civil de Goiás determinou o afastamento imediato do delegado de suas funções em Cocalzinho de Goiás.
Além disso, o Tribunal de Justiça de Goiás proibiu Christian Zilmon de atuar em causas relacionadas à advogada, atendendo a um habeas corpus preventivo solicitado pela OAB-GO.
Detalhes da prisão da advogada
Áricka Cunha foi presa em 15 de abril, dentro de seu escritório em Pirenópolis. A detenção aconteceu após comentários dela nas redes sociais criticando o arquivamento de um boletim de ocorrência por difamação.
Ela foi solta após pagar fiança de R$ 10 mil.
De acordo com o delegado, a prisão se deu por supostos crimes de difamação, injúria e desobediência, entre outros fatos registrados durante a abordagem. Ele alegou que as publicações da advogada ultrapassaram o direito de expressão e atingiram sua honra pessoal.
Nova portaria policial
Em resposta ao caso, a Diretoria-Geral da Polícia Civil publicou a Portaria nº 323/2026, que impede a participação de delegados em procedimentos nos quais tenham envolvimento pessoal, para garantir imparcialidade e evitar conflitos de interesse.
Segundo a norma, o delegado que for vítima imediata de infração penal deve observar o Código de Processo Penal e, se necessário, abster-se de conduzir o procedimento policial, passando a responsabilidade ao superior hierárquico.
