O Hezbollah afirmou nesta sexta-feira que Israel continua suas operações no sul do Líbano para criar uma zona tampão, mesmo após a prorrogação do cessar-fogo por mais três semanas, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Donald Trump declarou via Truth Social que o cessar-fogo entre Israel e o Líbano foi estendido após negociações em Washington entre os representantes dos países. Ele também disse que os EUA vão ajudar o Líbano a se proteger contra o Hezbollah.
Entretanto, a trégua ainda é incerta porque o Hezbollah, que levou o Líbano a um conflito em março em apoio ao Irã, rejeitou as negociações e mantém suas ações no sul do país.
Durante o cessar-fogo anterior, confrontos foram registrados, inclusive um ataque israelense que matou a jornalista libanesa Amal Khalil, conhecida por cobrir a região. Apesar disso, a trégua trouxe algum alívio à população libanesa, que já sofre com mais de 2.400 mortes e o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.
Donald Trump espera que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, possam se encontrar nas próximas semanas. Joseph Aoun deve participar de uma cúpula europeia em Ayia Napa, Chipre, com outros líderes da região.
Zona tampão
A zona tampão que Israel está criando representa cerca de 6% do território do Líbano. Mesmo com o cessar-fogo, Israel continua suas operações, demolindo casas e construindo fortificações ao longo da fronteira, segundo o porta-voz do Hezbollah no sul do país.
Moradores relatam bombardeios frequentes e a presença do Exército israelense em pontos estratégicos da região. A cidade de Tiro, um reduto do Hezbollah, está ao alcance da artilharia israelense.
Israel afirma que a operação visa conter a ameaça da milícia xiita, mas os moradores temem que a zona tampão sirva para anexar parte do território libanês. A presença de civis na área é proibida.
