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sexta-feira, 24/04/2026

Dólar perto de estabilidade com diálogo EUA e Irã em foco

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O dólar começou o dia quase sem mudança nesta sexta-feira (24), com os investidores atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã.

Por volta das 9h09, a moeda americana caiu 0,03%, cotada a R$ 5,003. Fora do Brasil, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a outras seis moedas importantes, teve queda de 0,19%, ficando em 98,64 pontos.

No dia anterior (23), o dólar fechou novamente acima de R$ 5, com alta de 0,59%, devido à maior apreensão dos investidores provocada pelas tensões entre EUA e Irã.

A bolsa de valores brasileira também sentiu o impacto e registrou queda de 0,78%, alcançando 191.378 pontos.

Essa foi a primeira vez que o dólar fechou acima dos R$ 5 desde 10 de abril, quase duas semanas atrás.

Na quinta-feira, o mercado apresentou movimentos voláteis, com o aumento do preço do petróleo ajudando a valorizar o real durante a maior parte do dia, fazendo o dólar atingir o menor patamar de R$ 4,940, uma queda de 0,67%. Porém, à tarde, a tensão no Oriente Médio cresceu, levando novamente os investidores a buscarem ativos mais seguros, como o dólar, e revertendo o otimismo.

Durante o dia, as tensões entre os EUA e o Irã subiram. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não sente pressão para encerrar o conflito com o Irã, mas avisou que “o tempo está passando” para Teerã.

Trump também afirmou que ordenou à Marinha americana “atirar e destruir” qualquer embarcação iraniana que coloque bombas no estreito de Hormuz. “Temos total controle de Hormuz”, declarou.

Do lado iraniano, meios de comunicação locais informaram que explosões foram ouvidas na capital, Teerã. A agência estatal Irna relatou disparos antiaéreos no oeste da cidade, enquanto a agência Mehr disse que os sistemas foram ativados contra “alvos hostis”.

Uma fonte de Israel, contudo, negou responsabilidade pelas possíveis ofensivas.

O estreito de Hormuz é vital, por onde passa 20% do petróleo e gás natural liquefeito produzidos no mundo. Na quarta-feira (22), a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que prendeu dois navios-petroleiros que tentavam passar pelo estreito sem autorização.

Na quinta, os EUA abordaram um navio iraniano carregado de petróleo no oceano Índico. Desde o começo do embargo, o Pentágono afirmou ter bloqueado a passagem de 31 embarcações.

Esse cenário fez os mercados globais ficarem mais cautelosos. O preço do petróleo subiu 3,94% na quinta-feira, com o barril de Brent chegando a US$ 105,93, a maior cotação desde 7 de abril.

As bolsas internacionais caíram: nos EUA, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones tiveram perdas de 0,53%, 0,89% e 0,36%, respectivamente. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou em queda de 0,19%.

No Brasil, o anúncio de um cessar-fogo temporário ajudou a bolsa a se aproximar dos 200 mil pontos, mas as tensões recentes limitaram o avanço do mercado acionário.

Segundo o banco Itaú BBA, as quedas recentes se devem à realização de lucros por parte dos investidores, que vendem ações para garantir ganhos após altas recentes. O banco destaca que continuam as incertezas quanto a um acordo entre os EUA e o Irã.

“Isso mostra que ainda falta um estímulo para que o mercado fique mais confiante e sustente novas altas”, explicou um analista do banco.

A corretora Ágora Investimentos ressaltou que, embora haja uma correção mais forte, esta ainda está dentro de uma tendência de alta.

A sensação geral é que, apesar do anúncio de prorrogação do cessar-fogo pelo presidente Donald Trump, as negociações entre os EUA e Irã permanecem paradas.

Trump estendeu a trégua entre os países na terça-feira (21), sem definir um prazo para término, afirmando que ela continuará até que o Irã faça uma proposta.

Porém, a segunda rodada de conversas entre Estados Unidos e Irã em Islamabad, no Paquistão, está suspensa depois que autoridades iranianas não confirmaram participação. A comitiva americana é liderada pelo vice-presidente, J.D. Vance, que esteve nas negociações anteriores em abril, que terminaram sem acordo.

O Irã se recusa a participar enquanto os EUA mantiverem o bloqueio ao tráfego de navios iranianos no estreito de Hormuz, o que Teerã vê como uma violação do cessar-fogo.

Como exportador de petróleo, o Brasil se beneficia com o aumento do preço do produto, tanto pelo movimento de investidores estrangeiros quanto pela balança comercial. No entanto, a busca global por segurança pode pressionar os ativos brasileiros.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirmou que o tom predominante é de cautela, já que o impasse no Oriente Médio ainda está longe de uma solução. Ele explica que, enquanto não houver sinais claros de diminuição das tensões e normalização do tráfego em Hormuz, o mercado deve oscilar entre momentos de alívio e proteção.

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, vê uma reversão na valorização do real contra o dólar, relacionada às incertezas geradas pela guerra. Ela aponta que ainda não está claro se o cessar-fogo será mantido, se as negociações vão continuar ou se o conflito poderá ser resolvido em breve.

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