FOLHAPRESS
O dólar apresenta variações nesta sexta-feira (24) devido às negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que estão novamente no centro das atenções.
Na noite de quinta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que o cessar-fogo entre Israel e Líbano será estendido por mais três semanas e descartou o uso de armas nucleares no conflito com Teerã. No entanto, o sentimento geral do mercado é que a paz definitiva ainda está distante.
Os preços do petróleo retornaram próximo a US$ 107.
Às 13h10, o dólar registrava uma queda leve de 0,03%, cotado a R$ 5,001. A moeda também foi impactada pelo Banco Central, que rejeitou as propostas nos dois leilões extraordinários realizados pela manhã. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas fortes, recuava 0,27%, atingindo 98,56 pontos.
A Bolsa caiu 0,57%, para 190.285 pontos, apesar da valorização de mais de 7% das ações da Usiminas após a divulgação do balanço da empresa.
A extensão do cessar-fogo, anunciada por Trump, aconteceu após uma reunião entre representantes de Israel e Líbano em Washington. Os Estados Unidos pretendem ajudar Beirute a se proteger do grupo Hezbollah e planejam reunir o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun em breve.
Por outro lado, o Hezbollah afirmou que a trégua não é válida enquanto os ataques de Tel Aviv ao Líbano continuarem. Na quarta-feira, cinco pessoas morreram durante uma ofensiva israelense, com mais duas mortes confirmadas nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde do Líbano.
Logo após o comunicado, o Exército de Israel ordenou a evacuação de uma cidade no sul do Líbano, onde a presença militar de Tel Aviv é significativa. Além disso, um drone israelense foi derrubado por um míssil do Hezbollah na região.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirma seu direito de resistir à ocupação, enquanto o exército israelense aconselha os civis a permanecerem afastados da área de conflito.
O Líbano entrou no conflito após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã nos primeiros dias da guerra. O cessar-fogo foi negociado à parte das tentativas de Washington para encerrar o conflito com Teerã, que insiste na inclusão do Líbano numa trégua mais ampla.
O mercado aguarda novas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Na terça-feira, Trump anunciou a prorrogação indefinida do cessar-fogo entre os dois países, que não foi reconhecida pelos iranianos.
Hoje, representantes de países árabes e da União Europeia se reúnem em Chipre para discutir os conflitos e os desafios no transporte de petróleo, afetado pelo bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, comenta que o impasse entre os EUA e o Irã mantém os preços do petróleo elevados por mais tempo, devido às incertezas sobre o conflito e seu impacto na oferta global.
Ele acrescenta que essa situação aumenta a procura por segurança e fortalece o dólar frente a moedas emergentes, como o real.
O petróleo Brent chegou próximo a US$ 107, mas depois caiu para cerca de US$ 104. O WTI, referência norte-americana, estava cotado a US$ 95,80.
Teerã e Washington bloqueiam o tráfego marítimo no estreito de Hormuz. Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã reteve dois navios-petroleiros que tentaram passar pela área sem autorização.
Embora o Brasil seja beneficiado com o aumento do preço do petróleo, tanto pelo fluxo de investidores estrangeiros quanto pela balança comercial, esse cenário de busca por proteção tende a pressionar os ativos nacionais.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, observa que o clima ainda é de cautela, pois o impasse no Oriente Médio parece longe de ser resolvido. Enquanto não houver sinais claros de desarmamento entre EUA e Irã e normalização do tráfego em Hormuz, o mercado continuará oscilando entre momentos de alívio e de incerteza.
Na quinta-feira, o dólar ultrapassou a marca de R$ 5 pela primeira vez desde 10 de abril.
Para corrigir desequilíbrios no câmbio, o Banco Central realizou um “casadão” de leilões na manhã de hoje, oferecendo US$ 1 bilhão à vista e 20 mil contratos de swap cambial reverso. No entanto, o banco não aceitou nenhuma das propostas feitas pelos participantes do mercado.
Essas operações têm como objetivo injetar liquidez e equilibrar o mercado cambial.
