O Governo do Brasil aprovou um investimento de R$ 190 milhões para sete ações de recuperação ambiental em importantes bacias hidrográficas. Estas ações são lideradas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e focam nas bacias dos rios São Francisco e Parnaíba, além de áreas próximas aos reservatórios do sistema Furnas.
A decisão foi tomada em 1º de abril durante uma reunião especial dos Comitês Gestores dos Programas de Revitalização dos Recursos Hídricos (CPRs), ligados à desestatização da Eletrobras, hoje Axia Energia. O objetivo dos recursos é restaurar a vegetação nativa em locais degradados, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APPs). Isso ajuda os ecossistemas a reter mais água, recarregar os rios, reduzir erosão e assoreamento, além de minimizar os impactos de eventos como enchentes, fortalecendo a segurança hídrica e a resistência das regiões às mudanças climáticas.
Dos projetos, três são do MMA e somam R$ 167,9 milhões para recuperar 5.537 hectares em Minas Gerais, nas sub-bacias dos rios das Velhas e do Rio Pará, e no Piauí, nas sub-bacias dos rios Uruçuí-Vermelho e Gurguéia, uma das áreas mais afetadas pela desertificação no país.
Outros dois projetos, indicados pelo Comitê da Bacia do Rio São Francisco (CBH-SF) e MMA, receberão R$ 10,7 milhões para recuperar áreas em Sergipe, na região do médio e baixo São Francisco.
O projeto Floresta Viva, uma parceria entre MMA e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi aprovado com R$ 10 milhões da Axia Energia e outros R$ 10 milhões do BNDES. Essa iniciativa atua em áreas próximas aos reservatórios de Sobradinho e Itaparica.
Além disso, um projeto em parceria com o Sindicato Rural de Cruzeiro e Lavrinhas, com recursos de R$ 1,95 milhão, será executado na bacia do rio Paraíba do Sul, em São Paulo, beneficiando o reservatório Funil-Furnas.
Em 2025, já haviam sido aprovados projetos do CBH-SF em parceria com o MMA no valor total de R$ 25 milhões, com quatro em execução nos estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Furnas também recebeu apoio para recuperação do manancial de Patrocínio (MG) e para a iniciativa Floresta Viva naquele ano.
Com os novos aportes, somados aos R$ 70 milhões aprovados em 2025, o total investido em revitalização ambiental de bacias pelo MMA, com recursos dos programas da Axia Energia, chega a R$ 256,2 milhões. Há ainda planos para captar cerca de R$ 275 milhões para 55 projetos do CBH-SF em fase de detalhamento.
João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ressaltou que recuperar áreas degradadas ajuda a equilibrar o ciclo da água, beneficiando a evapotranspiração, recarga de águas subterrâneas e a resiliência hídrica, além de ajudar a adaptação às mudanças climáticas. “Este investimento mostra o compromisso do Governo do Brasil com a recuperação das bacias hidrográficas e a segurança hídrica, que é vital para nossa população”, afirmou.
Adalberto Maluf, secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, destacou que os recursos vão ampliar as ações de recuperação ambiental. “O componente ambiental do ciclo da água é fundamental para garantir a segurança hídrica e energética do país. Com esses projetos, o MMA assegura investimentos nessa área”, explicou.
Os comitês gestores, instituídos pelo Decreto nº 10.838/2021, são grupos responsáveis por decidir o uso dos recursos vindos da desestatização da Eletrobras. Eles escolhem ações para revitalizar bacias hidrográficas, focando em recuperar áreas degradadas, aumentar a disponibilidade de água e melhorar o funcionamento dos reservatórios, contando com a participação de órgãos federais como o MMA.
