LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O aluguel está presente em uma parte cada vez maior dos lares brasileiros, enquanto as casas já pagas pelos moradores estão com participação em queda.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17), mostram essa mudança.
Em 2025, havia 18,9 milhões de residências alugadas no Brasil, representando 23,8% do total de 79,3 milhões de lares.
Esse número é o maior já registrado desde 2016, quando a taxa era 18,4%. O recorde anterior foi de 23% em 2024.
Por outro lado, os imóveis próprios já quitados somaram 47,8 milhões em 2025, o que corresponde a 60,2% do total, a menor participação desde o início da série histórica.
Embora tanto as casas alugadas quanto as próprias tenham crescido em número absoluto devido ao aumento da população, a elevação mais rápida dos aluguéis fez com que eles ganhassem maior espaço, em detrimento das casas quitadas.
Entre 2016 e 2025, os lares alugados aumentaram 54,1%, enquanto as casas próprias já pagas cresceram apenas 7,3%.
William Kratochwill, analista do IBGE, sugere que, apesar do aumento consistente da renda nos últimos anos, muitas pessoas ainda não conseguem comprar imóveis e, por isso, optam mais pelo aluguel.
“As pessoas crescem, casam ou começam a morar sozinhas, mas não conseguem comprar a casa. Por isso, escolhem o aluguel”, explicou.
Além disso, os imóveis próprios que ainda estão em pagamento chegaram a 5,4 milhões, equivalente a 6,8% dos lares, maior índice desde 2019.
Essa categoria aumentou 31,2% desde 2016, mas ainda está abaixo do crescimento dos aluguéis.
Somando os dois tipos de moradia própria, quitada ou em pagamento, são 53,1 milhões de domicílios, que representam 67% do total, a menor proporção já registrada.
Na quarta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um investimento de R$ 20 bilhões para programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, com recursos do Fundo Social.
Foi também anunciada a ampliação do programa Reforma Casa Brasil, que ajuda em reformas residenciais. Os anúncios acontecem em um momento em que o presidente busca aumentar sua popularidade para a reeleição.
Segundo o IBGE, o Distrito Federal tem a maior porcentagem de casas alugadas (34,5%), seguido por Goiás (28,8%) e Mato Grosso (28,7%), estados conhecidos pelo agronegócio que atraem mão de obra para a região Centro-Oeste. São Paulo fica em quarto lugar (28,5%).
48,7 milhões de brasileiros vivem em casas alugadas
A população vivendo em lares alugados no Brasil é estimada em 48,7 milhões em 2025, ou 22,9% do total de habitantes (212,7 milhões), o maior percentual registrado na série.
Por outro lado, 129,8 milhões vivem em imóveis próprios já quitados, correspondendo a 61% do total, o menor índice da série.
Aqueles que ainda pagam por suas casas somam 15,2 milhões, ou 7,2% da população, a maior proporção já observada.
