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sábado, 18/04/2026

28% das polícias no Brasil não têm regras para o uso das redes sociais por seus agentes

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MARCO ANTÔNIO CARVALHO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Uma pesquisa do Instituto Sou da Paz, que será divulgada quinta-feira (16), revela que 28,6% das polícias brasileiras não possuem regras próprias para o uso das redes sociais pelos seus agentes.

Mesmo nas instituições que têm alguma norma, há falhas no conteúdo dessas regras e nos processos para punir o uso inadequado das redes sociais por policiais que são influenciadores.

A pesquisa mostra que, embora seja importante garantir a liberdade de expressão dos agentes, é necessário estabelecer normas que limitem o uso da autoridade policial para autopromoção. Isso evita danos à imagem da polícia, compromete a eficiência da segurança pública, dificulta a investigação de crimes e aumenta a sensação de insegurança da população.

Especialistas alertam que o engajamento político através da atividade policial é um comportamento indevido que deve ser controlado.

Os policiais influenciadores frequentemente misturam seus pontos de vista pessoais com a imagem oficial da corporação, usando as redes para exaltar o trabalho policial e a sua atuação individual.

“As falas desses policiais, que apresentam o trabalho policial como se fosse uma guerra e elogiam a violência, são usadas para valorizar as polícias e são vistas pelo público como reconhecimento da importância do combate ao crime”, explicam os autores do estudo.

O Sou da Paz solicitou informações a 56 corporações policiais em todo o Brasil, incluindo órgãos civis e militares dos estados e do Distrito Federal, além da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Das 56, 16 informaram não ter regras sobre o uso das redes sociais, como a Polícia Civil de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, além da Polícia Militar do Ceará e do Amazonas. Duas não responderam: Polícia Militar de Mato Grosso e do Piauí.

As demais 38 possuem alguma regulação, que normalmente orienta os policiais a evitar o uso de símbolos, termos e imagens que confundam perfis pessoais com institucionais. É proibido usar brasões, uniformes ou outros símbolos oficiais em perfis pessoais, como previsto nas polícias do Amapá, São Paulo e Rio de Janeiro.

Outras restrições comuns incluem proibição de exposição de pessoas sob custódia, manifestações político-partidárias, relações com pessoas ou empresas privadas, e o uso de materiais apreendidos em símbolos da polícia. Também é proibido criticar procedimentos internos, com foco no respeito à hierarquia e lealdade institucional.

Carolina Ricardo, diretora-executiva do Sou da Paz, destaca que “regular o uso protege as polícias de usos indevidos, como a espetacularização e a venda de uma ideia violenta de segurança pública. A polícia, que tem o monopólio da força, precisa ser protegida dessas más práticas”.

A pesquisa mostra que a clareza e rigor das regras variam muito. Enquanto algumas corporações definem claramente as condutas proibidas, outras usam termos vagos como “valores da corporação” ou “prejuízo à imagem”, sem explicar como será a fiscalização e punição.

Os autores recomendam que as normas indiquem claramente quais unidades ou órgãos serão responsáveis por monitorar, investigar e punir eventuais abusos no uso das redes sociais.

Polícias sem regulação ou com regulação limitada

  • Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG);
  • Polícia Civil de Roraima (PCRR);
  • Polícia Civil do Tocantins (PCTO);
  • Polícia Civil do Estado do Acre (PCAC);
  • Polícia Civil do Estado do Amapá (PCAP);
  • Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ);
  • Polícia Militar do Amazonas (PMAM);
  • Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE);
  • Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte (PMRN);
  • Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE);
  • Polícia Civil do Estado de Alagoas (PCAL);
  • Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS);
  • Polícia Civil do Piauí (PCPI);
  • Polícia Militar do Estado do Espírito Santo (PMES);
  • Polícia Militar do Estado do Maranhão (PMMA);
  • Polícia Militar do Estado do Tocantins (PMTO).

Cuidados no período eleitoral

Carolina Ricardo destaca que as normas atuais não regulam o uso das redes sociais por policiais candidatos.

A diretora sugere que as polícias fiscalizem os agentes, estabelecendo regras claras para o acompanhamento das redes sociais. “Esperamos uma eleição muito focada em segurança pública, com muitos policiais concorrendo e ocupando cargos de secretário de segurança. É fundamental monitorar pois as redes sociais são uma ferramenta poderosa de politização”, comenta.

O estudo também recomenda que durante o período eleitoral as regras sejam aplicadas mesmo aos policiais que deixaram seus cargos para concorrer.

“O objetivo não é impedir a participação de policiais na política, mas garantir que as campanhas deles não usem a imagem institucional da polícia para se legitimar, especialmente quando apoiadas pelo uso excessivo da força ou pela glorificação da violência”, dizem os autores.

Um exemplo citado é a Polícia Civil de Rondônia, que permite a liberdade de expressão do policial, mas proíbe o uso de símbolos da polícia na campanha, conforme o artigo 40 da Lei das Eleições.

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