A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um caso grave de violência contra uma jovem universitária de 19 anos, estudante da Universidade de Brasília (UnB). A vítima reuniu áudios e vídeos que comprovam abusos cometidos pelo ex-namorado, Davi de Oliveira Mendonça, músico e designer de 25 anos.
Com base nas provas, a Justiça concedeu medidas protetivas para impedir que o agressor se aproxime ou entre em contato com a jovem. O caso, que corre em sigilo, revela a vulnerabilidade explorada por agressores. A jovem chegou a gravar um áudio durante o estupro cometido por Davi.
O relacionamento abusivo começou quando a vítima tinha 17 anos. Ela conheceu o agressor após um momento difícil na vida dela relacionado à morte do avô. Desde o início, Davi apresentou comportamentos abusivos.
Controle e isolamento
Davi exigia que a jovem desbloqueasse o celular para verificar suas conversas e manipulava suas redes sociais. Ele também menosprezava suas conquistas acadêmicas, afirmando que ela não terminaria a faculdade, ameaças que a vítima registrou.
Quando tentava se afastar, a jovem sofria ameaças psicológicas e intimidações físicas. O agressor também espalhou falsas acusações de racismo contra ela, o que a fez deixar sua cidade natal.
Além disso, Davi enviava mensagens manipuladoras por meio de transferências bancárias para tentar reatar o relacionamento. Ele se declara inocente das acusações.
Escalada das agressões
Ao morar com Davi, a violência física aumentou. Colegas perceberam marcas de agressões na vítima. O agressor também destruía pertences e usava sua influência familiar para intimidar a jovem e impedir denúncias.
A vítima relata abusos sexuais enquanto estava sob efeito de medicamentos, com lesões graves e sangramentos. Ela também sofreu perseguições constantes e cárcere privado, com agressões físicas que deixaram cicatrizes permanentes.
Mesmo após o fim do relacionamento, o agressor continuou assediando a jovem em seu ambiente de trabalho e em atividades políticas, fazendo ofensas misóginas.
Ataques recentes
Em abril, Davi perseguiu a vítima dentro de um ônibus no Gama e, dias depois, a agrediu com enforcamento e ameaças de morte, episódio gravado pela jovem. A delegacia descobriu que ele já possuía antecedentes criminais por violência doméstica conforme a Lei Maria da Penha.
“Nenhuma mulher deve lutar para ter liberdade e dignidade. Minha história não é única. É doloroso viver com medo em todos os lugares. Nenhum amor justifica agressão. Isso tem nome: Lei Maria da Penha”, declarou a vítima.
A Deam continua ouvindo testemunhas e analisando as provas fornecidas pela jovem para garantir justiça neste caso.
